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S I N A  D E I N E R T

Peguei Eduarda, a irmã de Caio, no meu colo e a levei para o carro. Caio entrou e eu coloquei a menina ao lado dele, apertei o cinto nos dois e também entrei no carro. Ainda estava chovendo, mas menos do que antes. Estava frio, as crianças estavam aquecidas, mas Caio ainda estava tremendo de frio. Tirei o meu moletom e virei pra trás para cobrir os dois, Duda acordou naquele momento e começou a perguntar por sua tia.

— Os médicos do hospital estão cuidando dela, tudo bem?- contei sendo gentil com as palavras, ela era muito pequena— e quando ela ficar bem, vocês vão voltar pra casa.

Respirei fundo, era difícil falar usando máscara, ainda mais quando meu coração estava muito acelerado, me tirando o ar.

— Escutem, nós--

— Por que não deixou a gente com o Will?- Caio perguntou parecendo bravo, mas eu sabia que não era comigo, ele estava frustrado— você tem sua vida, seu filho e o tio Noah, não precisa de dois problemas pra cuidar.

— Vocês não são um problema- o repreendi.

Era simples, eu sabia que Will não podia ficar com as crianças. O homem já estava usando seu dinheiro para ajudar o resto da comunidade e ainda sustentar sua família, ele não tinha condições de alimentar mais duas bocas. E por mais que eu soubesse que ele se mataria para cuidar dos sobrinhos de Rita, eu não podia deixar. Tinha um plano na minha cabeça, ele não era dos mais felizes, mas era a melhor coisa que eu consegui pensar.

— Oi Si, tudo bem?- Any atendeu minha ligação.

— Vai ficar se você me ajudar- soltei uma risada falsa para aliviar o clima— ok, não surta, mas eu fiz uma coisa um pouco duvidosa.

— Fala logo Sina, pelo amor de Deus.

— Rita, a tia do Caio e da Eduarda, pegou Covid e precisou ser internada. Will me ligou pedindo ajuda para acalmar as crianças, mas eu acabei fazendo um pouco mais que isso.

Any ficou em silêncio por alguns segundos, eu podia ouvir ela me xingando em pensamento.

— Você tá com eles no carro, não tá?- joguei minha cabeça no encosto do carro, frustrada.

— Eu não sei o que foi! Eu vi eles, tão... frágeis. Nem pensei antes de trazer os dois pro meu colo e... cuidar deles- senti vontade de chorar, eu não tive escolha sobre a minha ação, foi como instinto— não posso voltar pra casa agora, eu provavelmente estou com o vírus.

— Sim, claro! Não vá pra casa- Any suspirou antes de voltar a falar— instinto materno.

— O que?- perguntei confusa.

— É por isso que você está com essas crianças no seu carro, por causa do seu instinto materno. E... Se eu fosse você, teria orgulho disso, pois eu estou orgulhosa de você- olhei para trás, Caio e Eduarda estavam dormindo abraçados— você não deixou seu filho pra trás, deixou com Noah, que é tão bom pai quanto você é uma boa mãe. Não se culpa, você teve uma atitude linda.

— Obrigada amiga- sussurrei emocionada.

— Agora ligue seu carro, vou te ajudar.

N O A H  U R R E A

Acordei com Levi chorando, pulei da cama e corri até o quarto dele. Sim, eu estava só de cueca, mas meu filho com certeza não estava preocupado com aquilo. Assim que o deitei em meus braços, ele parou de gritar, mas começou a chorar. O abracei e sentei na cadeira de balanço do quarto, fiquei esperando Sina sair do banheiro e ir até nós, ela tinha uma ótima mania de aparecer sempre que Levi resmungava, e mesmo que fosse só um pouco, ela ia do mesmo jeito. Era uma mãe e tanto...

Behind the lights |HIATUS|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora