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S I N A  D E I N E R T

Noah só pegou no sono de manhã, fiquei com ele durante a noite e ouvi todas as suas dores e seus lamentos, dando atenção para cada palavra que ele dizia. Escutei seu choro baixo durante boa parte da madrugada, teve um momento que precisei fazer ele sentar na cama e respirar fundo várias vezes. Depois disso, o homem consegui dormir. Fiquei triste ao ter que levantar da cama quando amanheceu, eu não estava cansada, poderia ficar horas com Noah naquela cama, mas eu precisava trabalhar.

Assim que eu saí do quarto, Levi começou a me chamar por meio de resmungos. Não consegui evitar um sorriso, era muito bom saber que alguém sentia minha falta a todo momento que não estava acordado. Quando eu descobri que estava grávida, tudo o que eu quis foi que meu filho fosse meu amigo. Depois de todas as minhas dificuldades, eu finalmente consegui estabelecer uma boa relação com o meu bebê.

— Você quer me ajudar no desenho?- perguntei colocando Levi no meu colo e ele coçou seu olhinho com o punho fechado antes de deitar no meu ombro— ok, podemos fazer isso também.

Me ajeitei no sofá da sala e coloquei Levi no chão, peguei uma folha branca e um giz de cera para que o bebê pudesse pintar. Meu filho era inteligente, eu podia ver sua concentração ao desenhar enquanto eu desenhava alguns esboços no computador. Eu estava animada para ver meu bebê crescer cada vez mais, tinha certeza de que seria um grande homem. Ele tinha um bom exemplo em casa, e se visse as atitudes do seu pai, teria um lindo futuro.

— Bom dia- virei para trás quando ouvi Noah falando, mas fiquei calada quando percebi que ele não estava falando comigo, e sim estava falando no celular— é, eu tô bem. E vocês? Bom dia amor- ele sussurrou e beijou minha cabeça.

Levantei do sofá quando Noah sentou no chão com Levi e fui para a cozinha, coloquei café em uma caneca e entreguei para o meu namorado. Ele agradeceu com um sorriso fraco e voltou a prestar atenção em quem estava falando com ele no celular. Jacob não estava bem, eu sabia só pelo jeito que ele beijou minha cabeça. Uma das partes boas de namorar com o seu melhor amigo da vida era que ele não podia mentir pra mim, pois eu o conhecia bem demais pra saber seus sinais mais secretos.

— Josh, relaxa, eu tô bem- pausa, Noah soltou uma risadinha— sério? Não acredito. Isso faz sentido, na verdade- outra pausa— pode deixar cara, eu ligo. Te amo irmão, tchau.

— Tudo bem?- perguntei quando ele deixou o telefone de lado e bebeu um gole de café.

— Josh disse que sentiu uma coisa ruim noite passada e ficou preocupado comigo, ele teve certeza que eu não estava bem. A gente sempre foi assim, meio conectado.

— Meio?- ri e sentei ao seu lado— vocês sempre fazem as mesmas poses, comem as mesmas coisas, escutam as mesmas músicas. É lindo de ver, eu acho muito fofo.

— Acha?- afirmei balançando a cabeça, Noah sorriu para mim e beijou minha bochecha— tinha uma mensagem da minha mãe no meu celular quando acordei, você falou com ela ontem?

— Ela te ligou e eu atendi- contei— não falei muita coisa, mas ela deve ter percebido que você não estava bem- Noah abaixou a cabeça.

— Tanto problema grave por aí e eu dando trabalho com crise de ansiedade...

— Ei! Nunca mais fala isso!- segurei o rosto dele com as duas mãos— sua ansiedade não é menor do que nenhum problema, entendeu?

— É que... Eu costumo apoiar as pessoas, sou eu que elas procuram quando alguma coisa dá errado. Não posso ficar mal por qualquer coisa.

— Não é qualquer coisa. Para com isso, até o melhor dos ouvintes precisa ser ouvido. Você é forte, mas não é imune a dor. Estamos no meio de uma pandemia, você está trancado em casa e eu sei o quarto isso é difícil pra você, mas mesmo assim não parou de sorrir- Noah deitou a cabeça no meu ombro— você é forte, principalmente quando demonstra suas dores.

Behind the lights |HIATUS|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora