CAPÍTULO SETE

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Eu já disse muitos sins, mas nunca para o cara certo. E de repente Nico estava dentro da minha vida e eu não queria me apaixonar. Quer dizer, até queria, mas não podia. Como faríamos? Eu lá e ele aqui... Eu precisava armar as minhas defesas, mas ao mesmo tempo não podia afastá-lo, não podia partir o seu coração, eu havia feito uma promessa. Eu queria poder culpar alguém caso tudo desse errado e ambos acabassem inevitavelmente se machucando, mas não havia a quem culpar. E todo esse sentimento − que eu ainda não sei qual é − está começando a percorrer todos os meus órgãos vitais, tornando-se tão importante e essencial para a minha vida quanto qualquer um deles. "Que diabos você vai fazer, Nina?" − perguntei-me em voz alta, na esperança de que aquilo se tornasse real e descomplicado. Não se tornou.

Era uma segunda-feira tranquila. Acordei com o despertador do celular e o que estava à minha espera? Uma mensagem carinhosa do Nico, desejando-me um bom dia e dizendo o quanto queria tirar outro dia de folga para passar ao meu lado. Inevitavelmente eu sorria toda boba. Depois de um banho quente, segui para o salão onde o café-da-manhã era servido. Medialunas recheadas com doce-de-leite eram exatamente o que eu estava precisando. Tomei um iogurte e comi algumas frutas também. E então eu resolvi que exploraria a cidade por conta própria. Bem próximo do meu hotel estava a belíssima Galería Pacífico. É óbvio que eu levei isso em consideração na hora de decidir onde me hospedaria, afinal, que mulher não ama bater pernas entre diversas grifes e de quebra fazer algumas comprinhas?

Logo na entrada fui abordada por uma jovem simpática que me entregou o catálogo de uma loja de roupas femininas, o slogan dela dizia "Nós deixamos qualquer mulher deslumbrante" e eu realmente gostei disso. Quero dizer, é bem inclusivo, não acham? E era óbvio que aquela loja havia se tornado a minha primeira parada. Eu ainda não tinha decidido se iria à festa na casa do Nico no próximo final de semana, mas eu precisava de uma roupa, para o caso de querer ir. E se, hipoteticamente, eu fosse, estaria deslumbrante, nada menos que isso.

E então eu entrei na loja e me deparei com um vestido mais maravilhoso que o outro. Fiquei de queixo caído enquanto me deliciava naquele mar de opções. Tecidos maravilhosos, acabamentos impecáveis, brilho na medida certa, centenas de cores, decotes estonteantes e provocativos... Aquilo era um risco e tanto para o meu cartão de crédito. E um empurrãozinho maravilhoso para a minha autoestima.

Chamei uma vendedora, que se aproximou com um sorriso amigável no rosto. Mostrei os oito modelos que mais me encantaram e pedi para experimentá-los. Ela me olhou de um jeito desconcertado ao me perguntar o meu manequim. Mas sabe, o que há de errado com números grandes? Quase contei para ela que isso não era um problema e que ela não precisava ficar cheia de dedos comigo.

− Acho que o 48 vai me servir − respondi apenas, de costas para ela e dando uma olhada rápida em alguns outros modelos.

− Sinto muito, senhorita, mas nosso manequim vai até o 44, somente − ela retrucou com um tom de voz melodioso em seu sotaque argentino que não parecia mais tão sexy.

− Como é? − perguntei descrente, enquanto retirava o papel que me fora entregue na entrada do shopping. − Olhe bem − eu disse estendendo o panfleto para ela. − Aqui diz que vocês deixam qualquer mulher deslumbrante − informei, enfatizando bem o "qualquer mulher".

− Bem, sim, mas qualquer mulher até o manequim 44 − devolveu com um sorriso torto. − O manequim da senhorita é, hm, fora dos padrões... Como você deve saber.

E o meu sangue não parava de fervilhar. O que aquela loira magricela e sem sal estava dizendo? Quem é ela para falar de padrões comigo? Meus punhos estavam cerrados e aquilo definitivamente não terminaria ali.

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