CAPÍTULO SEIS

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 Felizmente, o constrangimento não durou mais do que alguns minutos. Antes que nos déssemos conta, já estávamos falando besteira e conversando sobre absolutamente tudo. Principalmente, livros. Não é maravilhoso poder conversar com alguém que assim como você, também ama ler? Marco era um energúmeno preguiçoso que nem se quer chegava perto de revistas ou jornais, muito menos de livros. Mas Nico não era dono de uma livraria por acaso, ele realmente era um grande fã da literatura. E a conversa fluía tão agradavelmente que de repente nos flagrei descalços e deitados em cima da cama, um de frente para o outro. E isso deveria ter sido constrangedor, mas não foi. Peguei-me encarando seus lábios e não pude evitar me perguntar se eles tocariam os meus hoje. Eu não conseguia entendê-lo... Um beijo não deveria estar demorando tanto, não é?

− No que está pensando? − ele perguntou de repente, sugando-me de volta para a realidade.

− Em quando vamos nos beijar − confessei de súbito, sem pensar previamente. Sei que minhas bochechas devem ter corado. Depois disso eu precisei desviar o olhar. Eu e a minha boca grande! Mas Nico parecia estar se divertindo com a situação. Um sorriso bobo e extremamente sensual ganhava vida em sua face e era impossível não sentir todo o meu corpo formigar de desejo. Seu dedo polegar tocou meu rosto de leve e eu apenas fechei os olhos, me concentrando em reprimir um gemido que estava louco para escapar.

− Você quer que nos beijemos? − ele perguntou enquanto seu polegar acariciava minha pele em círculos.

− Você não? − perguntei baixinho, levemente constrangida e muito, muito desesperada. E se ele dissesse que não? E se eu tivesse interpretado tudo errado? E se...?

− É tudo o que eu mais quero, Nina − ele disse e por um instante me faltou o ar. O que ele havia dito? Eu não tinha como ter certeza, já que Nícolas me surpreendeu ao vir na minha direção e tomar meus lábios para si como há muito eu desejava que ele fizesse.

Foi extremamente agradável ter o seu corpo por cima do meu enquanto nos beijamos. O nosso beijo se encaixou de forma dolorosamente agradável, afinal eu sabia que cedo ou tarde precisaria dizer adeus e voltar para a minha vida em São Paulo. Mas ter a língua quente dele envolvendo a minha calou todos esses pensamentos e me permitiu saboreá-lo como há tanto eu desejava.

****

Nós não queríamos ter saído da cama, mas saímos. As coisas estavam ficando realmente quentes, e nem aquele tempo maravilhoso era capaz de amenizar as coisas lá embaixo, se é que me entendem. Antes que tudo saísse do controle, nós resolvemos passear pela cidade. Os planos de turistar ainda estavam de pé, só que com um guia local muito gato e com o melhor beijo que já provei na vida. Às vezes eu ficava distraída e Nico precisava chamar minha atenção. Ele ria de um jeito fofo para mim e me concentrar em qualquer coisa ficava ainda mais difícil. Minhas viagens até o desconhecido tinham um motivo: o beijo dele. Eu não conseguia parar de pensar em cada pequeno detalhe daquela manhã...

O sorriso sexy e arrebatador que ele me lançou quando eu confessei que queria beijá-lo; a forma como seus lábios macios devoraram os meus; o toque carinhoso e quente da sua mão diretamente na minha pele; seu corpo pressionando o meu contra o colchão. Eu já havia suspirado por toda uma vida, mas toda vez que essas lembranças tomavam minha mente de assalto, eu me pegava suspirando novamente.

E então eu fiz uma pequena retrospectiva dos últimos dias, dos momentos que dividi com aquele homem incrível e único. Fui juntando nossas conversas, suas confissões e atitudes... E então me lembrei de sua ex-namorada, a intolerante que o havia magoado por não entender seu irmão. Eu fui tão estúpida de não entender todos aqueles sinais, toda sua cautela em relação a mim. E então eu fui até ele, que estava imerso em uma sessão cheia de jogos de videogame e toquei seu braço com delicadeza. Seus olhos gentis se voltaram na minha direção.

− Está tudo bem, Nina? − ele perguntou largando um jogo em cima da prateleira e envolvendo meu rosto com as duas mãos.

− Eu não vou partir o seu coração, Nico − sussurrei baixinho em sua direção. Seus olhos se espreitaram e ele me lançou um sorriso contagiante. Sorri também. Eu agarrei suas mãos e as segurei entre as minhas. − Entendo que é assustador... Mas eu não sou como as mulheres com quem você se envolveu.

− É claro que não − ele disse com os lábios tentadoramente próximos aos meus. Eu podia sentir seu hálito quente e mentolado contra a minha face. − Mas eu precisava ter certeza.

− E você já tem? − perguntei com receio do que viria.

− Absoluta − ele respondeu sem hesitar, tomando meus lábios no meio da livraria Ateneo, sem se importar em protagonizar uma cena. Ele me beijava na frente de todas aquelas pessoas com o mesmo carinho que me beijara no meu quarto. Eu precisava aceitar que Nico e Marco eram pessoas completamente diferentes...

E que não me apaixonar por ele era cada vez mais difícil.

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Espero que tenham aproveitado bastante o carnaval... Eu coloquei a leitura em dia e ganhei um bronzeado de dar inveja, haha! Na próxima sexta tem mais um capítulo por aqui e para quem é do RJ, no sábado estarei junto com outros escritores queridos no evento da Menina que comprava livros, na Livraria Travessa do shopping Leblon <3 Aproveitem o resto da semana... Não esqueçam dos comentários, hein? São muito importantes para mim e o decorrer da história, rs! 

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