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S I N A  D E I N E R T

César me encarava como quem queria me matar enquanto bebia uma garrafa de cerveja na minha frente, estava quase na hora do almoço, definitivamente não era hora daquilo. Meu celular vibrou duas vezes no meu bolso, mas eu sabia que não era Joalin, pois eu conseguia vê-la pelo cantinho da janela que estava no meu lado. Ela estava tensa, tadinha. Suas mãos com certeza estavam sofrendo sendo apertadas.

— Olha só loirinha, vou te dar uma opção bem tranquila, hoje tô paciente- o homem chegou mais perto de novo— se não quiser subir comigo para o quarto, vai embora agora e chama a sua amiguinha de novo.

— Só saio daqui quando você estiver preso.

— Preso?- ele riu— por quê eu seria preso?

— Violência doméstica, abuso psicológico e físico... Quer mais alguma coisa?- vi que eu tinha abalado o cara, mas ele rapidamente se recompôs.

— Joalin é medrosa, uma menininha. Ela fica se fazendo de poderosa por aí, mas não sabe nem me satisfazer quando eu preciso.

— Ela não precisa te satisfazer! Ela não precisa te agradar, não precisa de você aqui, não precisa de você pra nada!- dei um tapa no peito do cara, perdi o controle.

Como consequência, César seguro meu braço e me jogou no chão. Bati as cabeça em uma parede, mas isso não me impediu de levantar e impedir que ele fugisse. Eu sabia que tinha que evitar contato físico, mas não podia deixar aquele imbecil ir embora ileso. O empurrei contra a porta enquanto ele tentava abrí-la, mas recebi outro empurrão de volta. O homem só parou quando ouviu a sirene dos policiais chegando, aproveitei sua distração para puxar seu braço e jogá-lo no meio da sala, quebrando um vaso de vidro.

— Você vai pagar por tudo que fez com a minha amiga!- eu estava um pouco tonta, mas aquilo não era maior que a minha raiva— eu espero que você apodreça na cadeia!!!

O ruivo não teve reação, nem teve tempo, pois a polícia invadiu a casa. Fui arrasta para trás, mas me desfiz do contato de todo mundo e corri até Joalin. Ela sentou no chão e começou a chorar, meu coração estava doendo, mas eu não podia tocá-la. Meu filho, meu namorado, eu não podia colocá-los em risco.

— Você tá bem?? Me diz que ele não te machucou, por favor!- Joalin implorou olhando para mim.

Era impressionante o que uma pessoa ruim podia fazer com uma pessoa maravilhosa, Jojo era forte, era dona de si; mas um idiota qualquer conquistou seu coração e a destruiu. Ela deixou, amar ele foi escolha dela. Ela não sabia que César era o monstro que era, por isso escolheu amá-lo. Era difícil de entender, mas eu entendia e todos deveriam entender. É amor, ele cega, deixa as pessoas um pouco loucas.

— Como eu fui burra Si! Burra!- minha amiga puxou seu próprio cabelo.

— Ei, para! Joalin, olha pra mim!- ela me encarou, ainda chorando— você não é burra, você é humana! Todo mundo ama, mas às vezes as pessoas que a gente ama são monstros! Não é culpa sua, todo mundo é perfeito por fora. Como você ia adivinhar que ia ser assim?

Minha amiga se acalmou um pouco, não disse nada, mas ficou parada, pensando. Deixei que ela pensasse, mas fiquei ao seu lado. Enquanto ela refletia sobre os últimos acontecimentos da sua vida, aproveitei para mandar mensagem no nosso grupo de amigas. Contei pouca coisa, mas deixei claro que Joalin precisava ficar com alguém, não podia ficar sozinha. Sabina logo se manifestou e não demorou muito para que ela e Pepe aparecessem, ajudassem Joalin com algumas malas e a levassem para a casa deles.

Entrei no meu carro depois que eles saíram, meu corpo finalmente se aliviou no banco. Tirei a máscara e respirei fundo algumas vezes, era adrenalina demais para um dia só. Minha cabeça voltou a doer, toquei minha pele naquela região e senti que estava sangrando. Não era nada grave, pois se fosse eu já estaria jogada no chão. Ignorei a dor e me preparei para sair, mas meu celular tocou.

Behind the lights |HIATUS|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora