017

786 115 90
                                    


S I N A  D E I N E R T

Acordei antes do sol, tive tempo de me arrumar antes de Levi acordasse pedindo para mamar. Levantei minha blusa branca para que meu bebê pudesse se alimentar, aproveitei parar repassar mentalmente tudo que eu tinha que fazer no dia. Ajudar Josh, me manter o mais longe possível das pessoas e ajudar Joalin. Alguém precisava mostrar para o idiota que estava com ela que a mulher não estava sozinha.

— Psiu, tome seu suco antes de sair- Noah brotou ao meu lado do nada com um copo de suco de laranja na mão.

— Está muito cedo- sussurrei pegando o copo de sua mão— obrigada, mas eu poderia ter feito.

— Você estava esquecendo- revirei os olhos, pois ele estava certo— pegou a máscara?

— Já coloquei no carro.

— Luvas?

— Vou pegar.

— Está lembrando que não pode passar na casa de ninguém, nem cumprimentar ninguém na rua ou dar carona?- dei um selinho nele depois de todas as perguntas, eu sabia que Noah confiava em mim, mas sua preocupação não era sem sentindo, era totalmente compreensível.

O mundo parecia estar acabando...

— Eu vou tomar cuidado, prometo- coloquei a mão na bochecha dele, acariciando sua pele.

— Te amo.

— Te amo- nos beijamos brevemente, mas foi suficiente para me fazer arrepiar.

Eu amava tanto aquele homem...

[...]

Eu gostava de dirigir, era ótimo para pensar nas coisas e a sensação de liberdade era perfeita também. Preciso confessar que era muito estranho ver as ruas vazias, com um ou dois carros passando pela estrada, mas nenhum ser humano na rua. Era bom ver aquilo, por outro lado. As pessoas estavam ficando em casa, mas mesmo assim o vírus não parava de se espalhar cada vez mais.

Com isso, as pessoas que estava sem trabalhar também estavam ficando sem comida; como os moradores de Paraisópolis.

— Escute, senhorita- Josh falou quando paramos nossos carros na comunidade— você prometeu ao meu irmão que não ia falar com ninguém, só ia me ajudar a tirar as coisas do carro. Pelo amor de Deus, não--

— Joshua- prendi meu cabelo no alto da cabeça, eu estava doida para cortá-lo, mas os salões estavam fechados— fique tranquilo cunhado querido do meu coração, eu já sei que se eu falar com alguém o seu irmão me coloca pra fora de casa- nós rimos.

— Ok...- ele pegou seu telefone, provavelmente para chamar Will— como vocês estão? Noah me contou que foram para a casa dele.

— É, meu apartamento é confortável, mas é pequeno demais para Noah.

— Mas ele não reclamou. Reclamou?

— Não- sorri lembrando de como Noah vinha sendo maravilhoso o tempo todo, ele tentava me dar espaço mesmo no meu pequeno lar— Noah nunca reclama de nada, pelo contrário, ele sempre se adapta com as situações. Acho que eu também precisava sair de lá.

— Entendo- meu cunhado guardou o celular e olhou para mim— Any e eu não temos esse problema, sua afilhada bagunça tanto aquela casa que todo dia parece um lugar diferente.

Nós dois rimos e continuamos conversando enquanto tirávamos as cestas básicas do porta-malas do Josh. Tinha alguns alimentos básicos, além de biscoitos para as crianças também. Além de quatro máscaras para cada casa e um frasco grande de álcool em gel. Algumas pessoas em Paraisópolis não tinham nem como comprar máscaras, pois, se o fizessem, não teriam dinheiro para comprar um pão. Toda vez que eu pensava nisso meu coração doía, mas eu tentava pensar que estava fazendo minha parte.

Behind the lights |HIATUS|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora