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N O A H  U R R E A

— Vamos de novo? Última vez.

Sina tentava pela quinta vez ensinar Levi a falar "mamãe" em alemão, a vida dela seria muito mais fácil se lembrasse que nosso bebê tinha apenas cinco meses. Ele ria e gritava quando estava feliz, chorava quando estava triste, mas ainda não conseguia falar. Era engraçado de ver minha garota insistindo com o bebê, os momentos onde estávamos os três na cama da loira eram os meus favoritos do dia.

— Ma-ma- Sina disse gesticulando, escondi uma risada. Levi, que estava sentado, se jogou para trás, deitando na cama— Levi?!

Explodi na gargalhada, ri tanto que até rolei para o lado, caindo da cama. Por mais incrível que pareça, Levi também riu. Me recuperei e subi de novo na cama, ver a expressão indignada de Sina foi ainda melhor. Aquele clima de calma era algo que eu nunca tive. Desde que me tornei adulto, minha vida sempre foi muito agitada. Tudo piorou quando Sina foi morar fora, eu sempre procurava algo para me distrair e esquecer que eu sentia falta dela. Foi por isso que comecei a tirar fotos da Avenida Paulista no horário de pico, era puro caos.

Me fazia esquecer do meu.

— Amor, ele é muito pequeno!- coloquei Levi no meu colo e, ainda rindo, tentei consolar minha garota— não faz esse bico Sina Maria.

— Será que ele não me ama?- a loira perguntou ajoelhando na minha frente— meu Deus, ele está bravo comigo pelo que eu fiz quando nasceu. Eu sabia! Mas eu já pedi desculpa! O que eu faço??

— Boozie- comprimi meus lábios, Sina estava falando sério— amor, olha, ele não está bravo com você. Levi só não fala porque... bom, ele tem cinco meses.

— Tô muito ansiosa, né?- afirmei balançando a cabeça— acho que estou surtando, preciso sair.

— Precisamos- suspiramos, até que eu tive uma ideia e olhei para Sina— e se formos para a minha casa?- a loira levantou uma sobrancelha— tem um telhado, o quarto do Levi está pronto, eu posso dormir no sofá...

— Eu topo- Sina engatinhou até mim e me beijou rapidamente— só não gostei da parte onde você dorme no sofá...- sorri, aquela mulher conseguia me deixar cada vez mais apaixonado— também tenho uma proposta para te fazer.

— Ah, é? E o que seria?

— Você quer namorar comigo?- travei, parei até de respirar.

A mulher que eu amava estava na minha frente, sorrindo, me pedindo para namorar com ela. Eu, que há poucos meses atrás estava chorando em casa, sozinho, abandonado. Ok, um pouco de drama. Mas era o que eu sentia sem a minha menina ao meu lado. Meu coração bateu mais rápido quando Sina beijou o canto da minha boca e riu, achando graça da minha total falta de palavras para o momento.

— Isso é um não?

— Sim! Não, com certeza não!- gritei.

— Então você não quer namorar comigo?

— Sina!- a loira riu ainda mais— eu quero, quero sim! É tudo que eu mais quero!

Segurei o rosto dela e a beijei, tomando cuidado com o nosso bebezinho que estava no meu colo. Eles eram meu tudo agora, nunca mais me separaria de nenhum deles por nada no mundo. Eu abri mão da minha liberdade, da minha total independência e, enfim, assumiria alguma coisa. Nos arrumamos durante o dia, fiquei calado mesmo quando reparei que Sina fez uma mala enorme para levar. Fiquei feliz, significava que ela realmente havia gostado da ideia.

No final da tarde, nós três saímos da casa de Sina com várias bolsas, precisamos até deixar Levi no carrinho para sair. Deinert e eu usamos máscara, e como nosso bebê estava dormindo, a mulher aproveitou para cobrir o rosto dele com um paninho.

Behind the lights |HIATUS|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora