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N O A H  U R R E A

Eu estava dormindo tranquilamente, até que ouvi resmunginhos bem baixinhos. Levantei devagar da cama, fazendo de tudo para não acordar Sina. Quando consegui sair, corri até o quarto do nosso filho e o peguei no colo rapidamente, tentando impedir que ele começasse a chorar mais alto e acordasse sua mãe. Tentei balançar, beijar, fazer arrotar, mas nada adiantou. O choro de Levi se intensificou, cruzei ao corredor e fechei a porta do quarto da Sina, depois voltei para o quarto do bebê e também fechei a porta.

— Ah filho, o que tá acontecendo?- sentei na cadeira de balanço, mas Levi começou a gritar, me fazendo ficar de pé na velocidade da luz.

Péssima ideia, meu mundo começou a girar e eu quase caí. Apertei meu filho mais forte contra o meu peito e me segurei na madeira do berço pra não cair. Me recuperei rapidamente e voltei a pensar em soluções para aquele pequeno contratempo noturno. Acordar Sina estava fora de cogitação, ela realmente precisava descansar.

— Filho, sério, vamos lá. Eu entendo sua dor, eu sei que não é fácil sentir seja lá o que você está sentindo. Mas eu preciso de ajuda carinha, eu só preciso que você tente...- o bebê gritou de novo— eu quero a minha mãe!- sussurrei desesperado.

Ai, calma. Minha mãe! Corri até a sala e peguei meu celular, quando eu estava prestes a apertar o botãozinho verde, meu dedo travou. Não pude ligar para os meus pais, não era justo, eu tinha que resolver aquilo sozinho. Depois de uma hora em crise, eu percebi que seria impossível dar um jeito naquilo sozinho. No auge do choro do meu filho, eu não conseguia pensar em mais nada.

— E esse calor do...- aí eu percebi o problema.

Voltei com Levi para o quarto dele e tirei toda sua roupa, o deixando apenas de fralda. O choro diminuiu um pouco, então eu pensei na possibilidade de um banho. Sina não gostava de colocar Levi de madrugada durante a noite, mas era a única solução que eu havia encontrado.
Enchi sua banheira rapidamente e o coloquei ali, o choro quase acabou, mas meu bebê ainda não estava cem por cento bem. Decidi ir para o banheiro do quarto da Sina, fechei a porta e enchi a banheira.

Entrei na água e cueca e deitei Levi no meu peito, como a banheira não estava muito cheia, fiquei derramando água nas costas do meu filho aos poucos.

— Isso carinha, vai ficar tudo bem- beijei sua cabecinha, onde já estavam nascendo alguns fios de cabelo claros. Meu filho suspirou tão cansado que meu deu dó— é, eu imagino como seja difícil, mas papai tá aqui, agora tá tudo bem. Podemos cantar baixinho, não acha?

— "Se essa rua, se essa rua fosse minha... Eu mandava, eu mandava ladrilhar... Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes... Para o meu, para o meu Levi passar."

Levi bateu no meu peito antes de suspirar de novo. Fiz o mesmo que ele e fechei os olhos, eu não fazia ideia de que horas eram, mas eu tinha certeza de que não dormi o suficiente. Mas, em compensação, Sina estava dormindo, como não fazia havia algumas noites. Depois de ter meu filho mais calmo, nos vesti novamente e voltei para a sala com o bebê.

Deitei no sofá da sala e coloquei Levi no meu peito, o bebê dormia tranquilamente enquanto eu assistia um canal no YouTube sobre bebês. Eu estudei muito sobre o assunto, mas na hora que precisei agir, deixei meu filho na mão. Ok, eu ainda era novo na área, mas era impossível não me cobrar. Apesar de saber que a maior causa do choro do meu bebê era fome, e que só Sina poderia resolver essa parte, eu queria poder fazer mais.

Respirei fundo, vendo Levi subir junto com o meu peito. Dei risada assistindo a cena, dei um beijo na testa do garoto e voltei a prestar atenção no vídeo.

Behind the lights |HIATUS|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora