CAPÍTULO QUATRO

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Aquilo me pegou de surpresa. Eu definitivamente não esperava por algo tão sério e delicado. Os olhos gentis de Nico me sondavam com curiosidade e... Receio. Como não sabia o que dizer, apenas assenti.

− Eu o apoio, Nina. Amo o meu irmão e não acho que ela seja um monstro ou um erro. Ele é um dos caras mais incríveis que já conheci, meu melhor amigo desde que me lembro. Você... − ele hesitou por um instante e seus olhos não desgrudavam dos meus. − Entende isso?

− Se eu entendo? − perguntei brevemente chocada. − Por que não entenderia?

− Minha ex-namorada foi embora assim que descobriu. Quando contei a ela, ela me disse que eu deveria fazer algo a respeito, que não podia tolerar uma barbaridade dessas. Ela disse ainda que se fosse o filho dela, ela jamais aceitaria. Então... Não havia motivos para continuarmos juntos.

− Então, tecnicamente, foi você quem a deixou. E eu acho que você fez a coisa certa − eu lhe sorri com uma piscadela e ele logo me acompanhou. Foi reconfortante ver seu sorriso novamente.

− Essa situação foi positiva, apesar de tudo. Imagina se eu só descobrisse toda a sua intolerância depois do casamento? Depois de sermos pais... Seria muito, muito pior.

Nico pediu para que eu fizesse companhia a Noah enquanto ele assinava os termos e encerrava a estadia de seu irmão por ali. Assim que entrei no quarto, deparei-me com Noah de pé, vestindo apenas uma calça jeans. Ele estava a ponto de vestir sua camisa e eu reparei na enorme tatuagem que ele carrega no peitoral. Parece um desenho tribal masculino muito bem desenhado... Com contornos firmes e um preto vibrante. Sorri meio sem jeito enquanto ele terminava de se vestir. Ele voltou a se sentar na cama para poder calçar seus tênis e a forma como olhava de relance para mim começou a me incomodar.

− Nico te contou? − sua voz finalmente soou em minha direção. Eu estava concentrada demais em não gritar com ele por me encarar, por isso fiquei brevemente confusa, sem saber sobre o que ele estava falando. − Sobre mim − ele explicou.

− Ah sim... É, ele contou.

− E você não está me encarando como se eu fosse uma aberração − ele constatou com um sorriso confuso. Precisei me controlar para não lhe lançar uma resposta sarcástica, pois eu sabia como soava grosseira quando o fazia. Bendita etiqueta social!!!

− Porque você não é − expliquei como se aquilo fosse óbvio.

− Parece que o Nícolas finalmente escolheu bem − ele comentou com um sorriso largo que o fazia parecer ainda mais jovem. E ainda mais bonito também. − Você não vai me perguntar sobre a minha... Hum... Mudança? − sondou, apenas para saber se ele estava realmente certo quanto ao que dissera.

− Nós ainda nem nos conhecemos − eu afirmei levemente chocada. − Não acha que está um pouco cedo para falarmos de seios, hormônios, pelos...?

− Graças a Deus − ele gesticulou na direção do teto do hospital e eu ri.

Quando Nico finalmente deu o ar da graça, Noah comentou algo em seu ouvido que o fez gargalhar. Mas não uma gargalhada feia, esganiçada e meramente mortal − como a minha − sabem? Uma gargalhada cheia de vida e cor... Algo que deveríamos ouvir saindo apenas da boca de um galã de cinema ou de um deus grego. Céus, o que eu estava pensando?

Apesar de ter saído ilesa do hospital − lê-se: sem grandes constrangimentos como vômitos, crises de falta de ar, entre outros − eu achava que aquilo já era suficiente para todo o restante das minhas férias. Nico obviamente discordou. Fomos deixar Noah em casa e adivinha quem abriu a porta para nós? Se você respondeu "minha futura utópica sogra", você não poderia estar mais certo. E foi assim, no meio de uma crise, que eu conheci aquela mulher tão encantadora quanto os seus filhos. No primeiro instante ela nem notou a minha presença... Seus braços envolveram o filho mais novo com tanto afinco, que nem o fim do mundo seria capaz de separá-los. Pensei que daria tempo de escapulir de mansinho, mas ela me viu antes que eu conseguisse pensar em um plano decente que não envolvesse me fingir de bola de boliche e sair rolando porta afora.

Antes que você consiga dizer Wingardium Leviosa com a pronúncia correta, eu já estava sendo arrastada para dentro daquele enorme apartamento de dois andares, com espaço suficiente para abrigar um time de basquete. De repente me vi desamparada pelo mundo, quando Nico foi até a cozinha, deixando-me sozinha ao lado daqueles seres tão parecidos com ele. Os dois eram adoráveis, mas eu simplesmente não queria interagir demais. E se eles fossem perfeitos? E se fossem adoráveis comigo, exatamente como Nico era? E se eu achasse que os meus pais os adorariam? Seria injusto e cruel, considerando que precisaria abandoná-los em algumas semanas. Nico não podia ter me arrastado até ali. Ele não podia tornar as coisas tão difíceis para mim...

O problema é que ele já tornara.

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