X - Melissa Breeze

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O beleza incomparável desse lugar era tão imensa que não lembrava-me de nada, inclusive da minha perna super inchada de tanto andar. Como já era de se esperar, o deserto é muito quente. Nós caminhamos o dia todo, passando por montes gigantes de areia, com cobras e escorpiões tentando nos atacar, e esse foi um resumo de "tudo" que aconteceu pela manhã.

Pela posição do sol, deduzi que era aproximadamente 12:00h, então dei a ideia de pararmos um pouco para descansar e se alimentar. Todos concordaram e começamos a preparar as coisas.

Os meninos ficaram encarregados de montar uma tenda. Fiquei surpreendida, eles quase não conseguiram montar sozinhos. Tive de ir ajudá-los, para enfim a tenda ficar pronta. Já as meninas, ficaram encarregadas de "fazer" a comida, que na verdade já eram sanduíches prontos que eu trouxe pilhas e pilhas deles. Mas ninguém precisa saber disso. Também tenho outro segredo: uma bolsa que não tem fundo. Basta só pensar em algo, e colocar minha mão dentro da bolsa,que aquilo vai se materializar. Ou seja, nós não precisamos nos preocupar com comida e água.

Fizemos um círculo e começamos a comer. Todos comeram dois ou mais sanduíches. Menos eu, que só comi um, pois já havia me empanturrado antes de sair de casa. Casa. Só em pensar nela, as lágrimas vem aos meus olhos. Fico pensando em como minha mãe está, e também se meu pai ainda se encontra vivo e onde. Tento esquecer esses pensamentos. Não posso me deixar abalar em uma missão tão importante como essa.

-Agora que já terminamos de comer, chegou a hora de voltarmos a caminhar.- Falei animada.

-Vocês desmontem a tenda, enquanto nós ficamos sentadas olhando vocês trabalharem.- Falou Evelyn apontando para os meninos e rindo.

-Sim senhora comandante, seu pedido é uma ordem !-respondeu Matthew.

Esses dois tem algo muito estranho. É como se eles já tivessem se visto antes, meio que uma conexão que um irmão tem como o outro. Não como o Lucca e a Coralinne, mas algo mais forte, tipo eu e o Peter. Nossos destinos foram feitos para ficarmos juntos.

Depois de terminar de desmontar a tenda, voltamos a caminhar. Uma longa caminhada sem destino que parecia não ter fim. Já passaram-se muito tempo, o céu já esta alaranjado, daqui a pouco vai escurecer.

Ouvi barulhos, não sei de onde vinham, mas eram muito altos. Olhei ao redor e vi no horizonte, pedras se mexendo freneticamente para cima e para baixo. Vi um grande pedaço de pedra vir em nossa direção, então gritei para todos se afastarem.

Em nosso meio, caiu uma pedra que abriu uma cratera na areia. Curiosos, fomos ver o que era. Parecia um papel, porém de pedra. Ele era grande, mas não pesado, e também tinha inscrito assim:

"Apenas aquele que tiver o coração puro, o enigma há de desvendar. A flecha da caçadora está a oeste apontar, 13-30-31 as coordenadas achará. No meio do vermelho o inseto proibido há de encontrar, e pelas mãos do escolhido não só o tesouro, mas sim a deusa voltará."

Vi uma grande interrogação estampada no rosto de todos,mas de alguma forma eu sentia que aquilo foi diretamente para mim. Sinto como se isso tivesse sido escrito para mim.

Decidimos deixar para tentar entender isso só amanhã, já está anoitecendo e o melhor a ser feito é montar um acampamento. Andamos apenas mais um pouco e chegamos a um lugar onde havia algumas árvores e uma fonte de agua - não sei como é possível, mas ali estavam árvores e uma fonte de água, que por sinal era potável -

Montamos o acampamento ali. Cada um armou sua barraca e entrou dentro dela, pois do lado de fora estava muito frio. Peguei minha bolsa "mágica", e materializei um relógio. Já se passava das 21:00 horas. Fiquei encarregada de cuidar da pedra. Pensei e pensei no que havia escrito nela, e, como não obtive resposta alguma, fiquei apenas observando o céu estrelado. Vi uma constelação que nunca vira antes, mas já havia ouvido falar sobre ela. É a constelação de Alyria, a caçadora.

A história de Alyria conta que no passado os arqueiros eram muito venerados, mas era muito difícil de encontrar um. Ela era uma arqueira, e rodeou toda a terra levando justiça, lutando contra seres mágicos. Mas, sua ruína veio quando um ogro gigante a arremessou em uma árvore. Prestes a morrer, as guardiãs e protetoras dos reinos decidiram poupar Alyria da morte tranformando-a em uma constelação, e assim se fez. Até hoje ela é lembrada por seus atos heróicos.

Após um tempo, vejo que seu formato parece o de realmente uma caçadora com um arco e flecha em suas mãos. Fico pensando enquanto olho a flecha e me dou conta do quanto ingênua sou, como não havia percebido isso. Sua flecha aponta para o oeste. Desesperada para contar aos outros, abri minha barraca. Me deparei com um frio imenso e com uma enorme tempestade de areia que me impediu de sair. Vi que o melhor a se fazer era esperar amanhecer para poder contar a eles.

Como não sou burra, marquei no piso de minha barraca a direção para onde a flecha apontava, pois logicamente não daria pra ver a constelação durante o dia.

E assim fui dormir, com uma ansiedade dentro de mim querendo contar minha descoberta para os outros, mas não podendo por conta da tempestade.

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