Ahhhh! Finalmente! Por pouco, não consegui escrever esse capítulo. Espero que desfrutem e peço novamente que comentem, pois é um capítulo mega lindo e importante (eu acho, espero que seja o mesmo pra vocês kk). Bom domingo e feliz dia das mães para as minhas leitoras que são mães

Rosalie

Rosalie desliga o motor do carro em frente aos portões de ferro da mansão e encosta a cabeça sobre o volante, sentindo todo seu organismo estremecer abaixo da pele. O céu revelava que a tempestade logo cairia, mas isso não a intimida. Secretamente, ela conservava a esperança de que Derick, o sobrevivente, ainda fosse o mesmo de anos atrás, destemido e amoroso. Talvez precisasse de um empurrão pra derreter as camadas de gelo.

A verdade é que tinha medo de não ser suficiente. Para si mesma ou para ele?

Antes que pudesse se arrepender com o rumo de seus pensamentos, Rosalie abre a porta e tranca o Volvo. Dois homens estão na recepção, como soldados de chumbo esperando que algo emocionante aconteça. Ela informa seu nome e depois de algumas informações trocadas, os seguranças permitem sua entrada. Há uma trilha de pedras e, à frente, o imenso jardim que Deméter adorava. As flores não pareciam desabrochar como outrora, quando mãos habilidosas cuidavam delas. Uma tristeza recobre a ansiedade em seu estômago, e Rosalie suspira ao atravessar a varanda. Uma mulher mais jovem — trinta e cinco anos, aproximadamente — a espera na soleira, vestindo um roupão sobre o pijama.

— Boa noite, senhorita — diz. O sorriso é mecânico, distinto do acalanto que Amelia costuma oferecer.

— Boa noite.

A serviçal cede passagem e Rosalie entra na sala imensa, escutando o ruído da porta fechada atrás dela. O recinto é familiar e estranho diante de seus olhos. A sensação de estar confrontando o passado se torna corrosiva ali. Os jantares à luz de velas proporcionados aos funcionários e sócios da indústria vêm a sua mente como a correnteza de um rio. Parecia ter sido em outra vida. Sob o olhar rasteiro da empregada, que não disfarça o espanto com o vestido volumoso, ela se acomoda no sofá e tenta não roer as unhas. Todos os objetos de luxo, ainda que intactos sobre os móveis de vidro, refletem um mundo de conforto e ilusão.

— A senhorita aceita um café, uma água ou um suco? — pergunta educadamente.

— Não, obrigada. Estou bem.

Estava tão ansiosa que uma xícara repleta de cafeína seria como antídoto para um veneno, no entanto, o nervosismo atrapalha seu raciocínio. A serviçal se afasta e permanece em silêncio, mas outra voz irrompe na sala alguns minutos depois, máscula e rouca.

— Isso é o que eu chamo de visita inesperada. — Rosalie apruma a postura e observa o Hawkeller descer as escadas, com uma calça de moletom cinza escura e uma camisa de flanela preta. As mangas estavam dobradas até os cotovelos. — Você recusando café? Estou chocado.

— Oi — diz, tentando não revirar os olhos diante do comentário irônico. E prender o suspiro trêmulo ao perceber que o cabelo negro de Derick está ensopado, com alguns respingos deslizando furtivamente na pele do pescoço.

— Salete, alguma notícia de Amelia? — A pergunta espelha um tom atormentado, que seria quase sutil se não o conhecesse.

— Não, senhor.

— Obrigado, pode se retirar. — A ordem mobiliza a moça a dirigir-se ao corredor, desaparecendo de vista.

Finalmente a sós, Derick caminha até um aparador encostado à parede e despeja o líquido alaranjado da garrafa em uma taça de cristal. Ele oferece, porém, Rosalie também recusa. O álcool já aflorava em seu organismo desde o baile. Precisava estar sóbria para um desenrolar sadio da conversa. Quando o indivíduo escolhe sentar no sofá de fronte para ela e cruza as pernas, seu coração acelera. A pequena mesa central parece um obstáculo quase irremovível. 

(ATÉ 05/2018) Amor Em EstilhaçosLeia esta história GRATUITAMENTE!