1 - Hospital

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Estamos em pleno inverno, amanhã o Jack faz 16 anos e já passaram 2 meses desde que ele aqui está, não aguento mais a pressão. Ele está em coma há 2 meses e os médicos dizem que ele está como está devido a uma overdose. Eles, infelizmente, não me conseguem dizer ao certo quais as drogas que ele consumia. Sinto uma enorme dor no peito porque acho que não é fácil para nenhuma mãe no mundo ver um filho ligado por 200 fios a uma máquina.

Eu sei que ele fuma desde os 14 anos, ok, mas a única coisa que eu quero saber é o porquê de ele se drogar, ele sempre teve o que queria, sempre lhe dei tudo o que podia, sentia que o mundo tinha caído em cima de mim, como se me tivessem posto num beco sem saída.

Está um calor enorme no quarto, a televisão está nas notícias, que há 5 dias consecutivos só fala da crise europeia e da possibilidade da saída da Grécia da Zona Euro e no chão de joelhos está a minha mãe nas suas orações ao seu Deus Todo Poderoso do Universo (em quem eu deixei de acreditar por razões muito óbvias) com o seu terço de ouro na mão e a chorar baba e ranho. Decido sair para ir fumar um cigarro, quando chego à porta vejo que está a chover e reparo que o Doutor Edward está aqui e pergunto-lhe:

- Como está o estado do Jack? Por favor seja sincero! - digo-o com uma calma enorme, que se calhar nem parecia estar verdadeiramente preocupada com Jack.

- Sra. Smith, lamento dizer-lhe que o Jack não apresenta grandes melhorias. Lamento mesmo muito. - diz ele com um ar pensativo e ao mesmo tempo triste.

Após estas palavras, o Doutor abraça-me e pela milésima quinta vez diz que lamenta imenso o facto do Jack ter o que tem, dizendo-o como se o Jack já estivesse morto e me estivesse a chamar para ir ver as máquinas dele a serem desligadas. Deito o cigarro no chão e piso-o de seguida, com as lágrimas a subirem-me aos olhos por ter de ir ver o meu filho naquele estado, outra vez.
Quando chego ao quarto está lá o meu marido, Julio de origem colombiana, que acabava de vir do emprego, ele é alto, cabelo escuro e olhos rasgados e castanhos escuros.

- Olá Stephania, vai a casa descansar um pouco que eu fico aqui com o Jack, não te preocupes.

- Okay - digo eu com uma frieza de pessoa triste que agora sou.

Sentia-me solitária, sem objetivos de vida, sentia-me uma autêntica barata tonta no meio de 7 bilhões de pessoas, pensava como no meio de tanta gente tinha logo de ser eu a ter um filho nestas condições? Ninguém merece.

Despeço-me do Julio beijando-o, dou um abraço à minha mãe que insistiu em continuar nas suas orações e beijo Jack na testa, sonhando porder abraça-lo mais uma vez nesta miserável vida. Olho para ele e neste momento, parece ser a pessoa mais calma no mundo.

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