15.2 MORDIDA

1.5K 156 6

- Gente, o que é isso? - Mila perguntou, ouvindo o som alto que vinha de quatro ruas à frente, onde com toda certeza, estava rolando mais um baile. - Mais carnaval?

Talles estava passando a mão pelo braço e xingando baixinho pela mordida que Mila lhe dera quando ele a carregou escadas abaixo na estação. Cela e Pepê andavam lado a lado, mas eu ainda estava nas costas de JP, a quem eu esta extremamente grata por dar um momento de desconto para os meus pés.

Cela pareceu animada com a informação e segurou a mão de Pepê com as suas duas, quase pedindo pelo amor de Deus para eles irem para lá.

- Ai, nem pense nisso - resmunguei.

Mila, Talles e JP, com quem eu dividira minha jornada de festas, riram meio desanimados e eu percebi que se eu não negassem, provavelmente os três iriam para não fazer desfeita. Lembrei que os três eram, basicamente, visita, e aceitariam quase tudo proposto para agradar.

Bobões.

- Vamos? - Cela insistiu, mas apenas para Pepê, que suspirou.

Eu conseguia sentir o desconforto no ar e revirei meus olhos para aquela bobagem. Apertei meus braços ao redor de JP, fazendo o que eu podia para reconfortar apenas um; mordi-lhe a orelha de leve, o que inevitavelmente o fez rir e apertar minha coxa, por onde me sustentava, com um pouquinho mais de força.

- O que eu não faço por você, minha fadinha? - respondeu.

Mila e Talles se encararam com sorrisos amarelos e eu pude ver, no rosto dela, que estava maquinando alguma forma de fugir daquilo e ainda parecer levemente educada. Todos bobos, aqueles três.

- Ai, gente, nem pensar. Estamos mortos - eu disse, por todos, já que ninguém parecia querer dizer nada. - Acho que só vamos comer alguma coisa e aí eu só quero dormir até o ano que vem.

Ouvi três suspiros de alívio acompanhando minhas palavras e, em seguida, risadas leves, também provocadas pelo alívio.

- Bom, nós vamos! - Cela declarou. Beijou-me na bochecha e, então, JP. Então, cumprimentou Talles e Mila, Pepê seguindo seu comportamento e se despedindo de forma parecida de todos nós. - Até mais, pessoal!

Mila esticou-se na ponta dos pés e acenou para os dois, que estavam se afastando. Todos nós a imitamos, mas mais controladamente.

- Boa festa! - Mila gritou.

Pelo sorriso de Pepê quando ele e Cela se voltaram para acenar de volta, ele também estava achando graça do comportamento espalhafatoso de Mila.

- Bom descanso! - Pepê gritou de volta.

Ficamos os quatro nos encaramos e JP me colocou de volta no chão para o meu desagrado. Senti pontadas de dor assim que meus pés se encostaram no chão. Estávamos parados em frente as roletas de saída da estação e parecíamos todos com preguiça de andarmos até em casa.

- Então, o que vamos comer? - JP perguntou.

Eu só virei meu rosto para a barraquinha de cachorro quente que ficava exatamente em frente à estação e todas as cadeiras de bar que estavam espalhadas ao redor. O que nem foi dito, não precisava ser. Nós quatro descemos os últimos degraus e nos jogamos nas cadeiras de bar. Acabamos nos encarando e rindo das caras de derrotados que nós exibíamos.

Por sorte, fizemos o pedido sentados mesmo e comemos tranquilamente, vendo trens chegando e mais pessoas fantasiadas passando, comemorando o fim do carnaval. Outros, pareciam tristes; o ano finalmente iria começar.

- Queria ter mais uns quatro dias isso e pernas novas - Mila desejou, ao terminar o cachorro quente. - Pernas novas, mesmo sem mais quatro dias de carnaval.

- Boa pedida, bebê - Talles encostou os lábios nos dela só de leve.

- Não preciso de pernas novas - balancei as minhas e sorri insinuante para JP, que caiu na gargalhada. Senti sua mão na minha coxa e segurei a respiração.

- Aham. Tá achando que eu vou te carregar pra sempre, é? - perguntou-me.

- Eu não mordo - declarei.

Mila fez cara feia, mas Talles, JP e eu caímos na gargalhada. Esperamos todos acabarem de comer seus cachorros quentes e começamos uma lenta caminhada até em casa. Passei no bar pra avisar que havíamos chegado e pedir a benção pra minha mãe e ela me deu a chave de casa.

Mila e Talles entraram primeiro e eu fiquei atrás para me despedir de JP. Estranhei o fato de que eu não queria que ele fosse, estava começando a me acostumar com a presença constante dele e desejando que ele não fosse embora.

- Eu te ligo amanhã - beijou-me a boca, murmurando isso entre nossos lábios e me fazendo rir.

- Não. Amanhã eu vou dormir o dia todo. Me liga quando eu acordar.

- Você deve ser linda quando acorda - ele sorriu daquela maneira enebriante e mexeu no meu cabelo, tentando colocar uma mecha atrás da minha orelha.

Estremeci e fiquei extremamente envergonhada, mas tentei não demonstrar meu abalo. Por algum motivo, eu sabia que ele estava ciscando para ver se eu e ele poderíamos dividir a cama. Hoje ou brevemente. Apertei meus olhos e respirei fundo. O que você estava pensando, Drica? Ele é seis anos mais velho. Não vai esperar você e seus medos para sempre.

- Tiro uma foto qualquer dia e mando pra você - eu ri, tentando parecer descontraída. - Mas vai ser só quando eu me cansar de você e querer que você fuja de mim!

JP engoliu a seco e, ao contrário de mim, pareceu desconfortável. Senti-me um pouco culpada por negar-lhe o que ele queria, mas... Eu não podia fazer isso ainda. Estava assustada como o inferno sobre transar e eu mal tinha me decidido que queria algo mais sério com JP. Um passo de cada vez, certo?

- Pode mandar - ele me murmurou. - Não estou indo à lugar algum pra longe de você. - Sorri docemente pra ele e ele me beijou os lábios - Boa noite, morena.

- Boa noite - falei baixinho.

Ele sorriu tristemente de lado e se foi. Então eu entrei em casa, tranquei o portão e encontrei Mila fazendo massagens nos pés de Talles. Sorri para os dois e passei direto para o banheiro, tomando um banho bem gelado.

Toque de Recolher [NO MORRO]Leia esta história GRATUITAMENTE!