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- Minha querida! - minha mãe abandonou tudo o que estava fazendo no momento em que nós cruzamos a porta do bar. Correu até Mila e abraçou-a apertado.

Ouvi risadas e vi que não éramos só nós três rindo da cena exagerada, Pepê e Cela estavam no bar, provavelmente nos esperando chegar também e eu não sabia se aquilo era ideia da minha mãe ou de JP, mas eu adorei.

- E você é o rapaz sortudo! - minha mãe puxou Talles para um abraço apertado, arrancando outra leva de risadas nossas. - Ludmila escolheu bem.

E só para entoar, ela apertou as bochechas de Talles que pareceu completamente chocado com aquilo e nós rimos mais ainda. Mila abraçou Cela como se fossem velhas amigas, embora eu soubesse que elas haviam apenas trocado poucas palavras por mensagens em minha companhia ou em postagens no facebook. Cela apresentou Pepê, Mila apresentou Talles e todo mundo se conhecendo, resolvemos beber um pouco - menos eu, que na presença da minha mãe, embora ela não se importasse, só arrisquei um refrigerante. E, pensando bem, foi uma ótima opção, já que eu não estava me sentindo muito bem depois do vinho.

Comemos salgados e algumas porções de batatas e conversamos muito, rimos, contamos histórias. Pepê se interessara muito em saber sobre a fazenda e dissera que tinha vontade de morar em um lugar tranquilo assim. Mila tecera elogios sobre a fazenda e sobre a calma, mas deixara reclamações sobre a falta de opção de qualquer coisa no vilarejo mais próximo, ao que Talles corrigiu-a, dizendo que era uma cidade, não vilarejo e os dois começaram a discutir outra vez. Enquanto eles brigavam, Cela pontuou para Pepê que ela não tinha a mínima intenção de morar no meio do nada, então era melhor ele parar de sonhar em morar numa fazenda.

Teve uma hora da noite que um dos meninos de Pepê entrou no bar, armado com um fuzil e se aproximou da mesa. Mila até tentou disfarçar, mas eu percebi ela cutucando Talles por debaixo da mesa e a forma com que ele a abraçou a seguir, passando a mão pelo seu braço com a intenção de acalmá-la. Queria lhe dizer que eu também me sentia assim e que eu deveria ter dito alguma coisa sobre isso sempre acontecer quando estávamos no bar, mas Mila conhecia o lugar e sabia para onde estava indo. Provavelmente era só nervoso mesmo.

- Bom, gente, eu tenho que ir - Pepê se levantou da mesa assim que o rapaz lhe deu o recado e se foi. - Vamos? - perguntou à Cela, que concordou com a cabeça.

- Posso ganhar uma carona? - JP perguntou à Pepê.

- Claro, mané!

Enquanto Cela e Pepê se despediam de Talles e Mila, JP veio se despedir de mim. Passou os braços pela minha cintura e eu me senti instantaneamente nervosa, como isso já não estivesse se tornando normal.

- Não tivemos muito tempo pra conversar hoje, mas... Você está ok, certo? - perguntou.

Eu sabia que ele não estava perguntando se eu estava bem, ele queria saber se eu estava ok com a presença constante dele. Tomei um montante de ar, incerta, mas concordei com a cabeça e percebi seu sorriso aumentando e fazendo meu coração acelerar junto.

- Bom - murmurou.

Então, beijou-me a boca e eu estava nas nuvens.

Os três se foram e nós decidimos que deveríamos dormir para recuperarmos as energias. Apesar de minha mãe ter dito que toda aquela farra era por conta da casa, Mila invadiu o atrás do bar e deixou uma nota de cem com uma das ajudantes, sem deixar que ninguém dissesse nada. Quando minha mãe viu, já era tarde e nós estávamos todos na porta, acenando e lhe desejando uma boa noite de trabalho.

A curta caminhada para casa foi sorridente. Eu estava contente de ter minha prima por perto e estava ainda mais feliz que ela estivesse tão feliz. Talles e ela, apesar das brigas - e eu ainda não sabia identificar o quanto daquilo era brincadeira e o quanto era sério - pareciam girar um ao redor do outro.

Arrumamos a cama de Talles no sofá e deixamos ele com três ventiladores, além do de teto, esperando que fosse o suficiente para ajudá-lo a dormir e subimos para o meu quarto, que minha mãe já havia aberto a gaveta da bicama e preparado a cama inferior para Mila.

Mila dormiu no segundo em que bateu na cama, provavelmente cansada do dia de viagens e novidades, procurando recarregar as baterias para o dia seguinte, que começaria cedo e também seria demasiadamente cansativo. Invejei-a automaticamente.

Demorou até que eu mesma caísse no sono e, ainda acordei algumas vezes porque não estava conseguindo relaxar totalmente. Na terceira vez que despertei, Mila não estava em sua cama, então levantei-me em um pulo, achando que já era hora de tomar o café e sair.

Aos sapatinhos, caminhei até o banheiro para me lavar e me preparar para sair sem acordar minha mãe, que deveria ter ido dormir muito mais tarde que a gente, mas ao chegar ao aposento, deparei-me com a porta fechada. Antes de bater e perguntar por Mila, porém, reparei que ainda estava escuro.

Eu só havia começado a entender o que acontecia quando ouvi uma série de gemidos que eu certamente não queria ter escutado.

Tapei minha boca com a mão para minha expressão de surpresa não sair e ouvi Talles ralhar com Mila.

- Shiiu! Quietinha, Mila!

Oh, céus. Eu comecei a sentir meu rosto queimar quando Mila lhe respondeu com o palavrão e ele gargalhou em resposta e eu corri de volta para o quarto antes que eu ouvisse alguma outra coisa imprópria que me arrependeria de ter nascido - ou antes que eles descobrissem que eu estivera por ali, o que certamente me deixaria ainda mais envergonhada.

Meia hora mais tarde, ouvi o ranger característico da minha porta e Mila entrou tentando não fazer nenhum barulho. Virei-me de frente para a porta automaticamente e acendi a luz, encontrando-a em uma posição exagerada e engraçadíssima, como se estivesse em um filme de ação. Suas duas mãos estavam penduradas nos braços esticados, ela andava em passos largos e na ponta dos pés. À luz ser ligada, sua pose se desmoronou e ela soltou um suspiro, rindo.

- Desculpe - murmurou.

Sorri para ela e fiz minha melhor cara de morrendo de sono, voltando a me afundar na cama. Mila caminhou até a sua e se enfiou nos lençóis.

- Não consegue dormir? - perguntei, disfarçando.

- Eu só... fui tomar um banho - mentiu. - Aqui é muito quente.

Tive que segurar a risada.

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