11.1 OMG

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CAPÍTULO ONZE - POR QUE TODA VEZ QUE EU TENTO FUGIR NUNCA DÁ CERTO?

"Bom dia, priminha! Nos vemos em algumas horas! OMG!!!! A gente chega 12:30 no vôo da TAM 3825 de BSB p SDU, ok? E aí a gente conversa sobre isso aí c calma, mas ñ se desespera ñ. Se vc correu, vc smp pode colocar a culpa nele! Homens smp estão errados, Dri, se vc aprender isso, vc vai ficar bem! Te amo, to ansiosa pra ver vccccccccccccc!!!!!"

Mesmo com meu estômago se revirando em expectativa e a noite mal dormida pensando no que poderia ter acontecido se eu não tivesse entrado em pânico e corrido desesperadamente para longe de JP, Mila conseguiu me fazer rir.

Piscando demoradamente e cansada, encarei o relógio, que me informava que pouco passava das oito horas e eu conclui que dormira, basicamente, apenas três. Corri de JP quando faltava pouco para uma da manhã, me tranquei no banheiro para chorar de pânico e receio, enquanto mandava mensagens desesperadas para Mila e Cela até quase duas da manhã e, então, ficara rolando na cama até as cinco.

Eu recebi uma mensagem de JP assim que cheguei em casa, pedindo desculpas por ter me assustado e aquilo me vez chorar mais que qualquer coisa.

Ele sabe. Insistiu a maldita voz na minha cabeça. Ele já sabe que você só paga que sabe e nunca fez nada disso. Ele é mais velho e experiente não vai querer saber de ficar em banho-maria com você porque você está assustada!

Dali, não tinha como voltar atrás. JP já sabia e não tinha como ele querer continuar comigo depois daquilo. Passara metade da minha noite me perguntando se havia alguma chance de eu ter evitado o buraco aonde eu havia me enfiado.

Eu podia não ter entrado no carro, claro, mas eu quis entrar. Eu gostei. Se eu não tivesse entrado no carro, eu provavelmente teria me arrependido também.

Eu podia ter dito que precisava dar uma parada para respirar, o que me parecia bem mais sensato. Mas será que isso seria suficiente para que a gente parasse ali? Eu achava que não.

Eu podia... Não ter parado. Ou corrido. Podia ter deixado acontecer. Em um carro, daquela forma que nunca sequer tinha passado na minha mente.

Eu teria me arrependido? Provavelmente. Mas ao menos eu teria dormido melhor. Cansada, de acordo com que Cela falava.

Deixei minhas bochechas queimaram ao pensar em fazer aquelas coisas com JP dentro do carro do seu irmão, onde Cela também já tinha feito. Não, aquilo com certeza não teria dado certo. Eu provavelmente teria desistido em algum momento e saído correndo com menos roupa.

Dessa vez, meu rosto todo queimou com a memória de eu ter coberto meus seios um segundo antes de chamar a atenção dos maconheiros na rua. Mas não o suficientemente rápido para eles não perceberem o que havia acontecido e soltarem gracinhas quando eu passei por eles correndo.

Encarei a mensagem de JP mais uma vez:

"Sinto muito por ter assustado você, Dri. Tá tudo bem, não se preocupa. Quando você se acalmar, a gente conversa, tá bom?"

Eu não me recordava da mensagem depois de "Sinto muito por ter assustado você, Dri." Franzi as sobrancelhas para o resto e conclui que eu estava tão nervosa e chorosa que devo ter feito algum tipo de leitura seletiva. O não se preocupa me fez rir debochadamente porque era tudo o que eu tinha feito desde então e a frase sequinte, quando você se acalmar, a gente conversa, me deixou seriamente preocupada.

Era A Conversa, eu sabia. Ele iria perguntar abertamente se eu era virgem e eu não teria onde eu enfiar minha cabeça de tanta vergonha.

Respirei fundo. Mila chegaria em algumas horas e tudo o que eu podia rezar era que ela me salvasse ou com a sua companhia, ou com seus conselhos ou com duas semanas de intensa atividade e sem nenhum sinal da presença de JP.

E com aquela ideia tranquilizadora, eu lembrei-me da promessa que eu havia feito para JP na noite anterior e mandei um solitário Oi de resposta.

Afundei-me na cama, tencionando tirar mais um cochilo antes que minha mãe entrasse no quarto berrando e dizendo que estava na hora, que eu estava atrasada, que eu tinha que me arrumar bonitinho para ir buscar minha prima, mas quando meu celular vibrou dois minutos mais tarde, eu me pus sentada, alerta, com ele em minhas mãos.

Esperava que fosse uma resposta de JP, mas confesso que fiquei um pouco decepcionada ao encontrar uma mensagem de Cela no Whatsapp.

"VC O QQQQQQQQQQQQQQ??????"

Claro que Cela não vira nenhuma das minhas mensagens da madrugada até agora. Ou talvez tivesse visto, mas estava muito bêbada para compreender. Agora, porém, lá estava ela, ativa e me mandando mensagens desesperadas a cada segundo.

"Eu n consegui, ok? Fikei c medo!" Mandei de volta.

Ela estava online e atenta e pouco demorou para que eu recebesse sua resposta desesperada, que me deixava ainda mais nervosa.

"Mas vc FUGIU? FUGIU?????"

Encarei sua mensagem sem saber o que responder porque eu estive me berrando sobre aquilo a noite toda. Eu não podia acreditar que eu tinha realmente apenas saído correndo. Eu podia tê-lo parado, ter gritado com ele, fingido escorregar, passar mal... Mas eu só fugi mesmo.

"Kr, n briga cmg :("

Minha carinha triste pareceu tocar algum lugar que ativava a compaixão em Cela porque sua resposta posterior foi muito mais calma e compreensiva.

"Agr vc vai tr q flr c ele, sua demente"

Eu sabia que ela estava certa porque JP mesmo já pedira por uma conversa, então apenas encarei o teto, sentindo minhas lágrimas começando a se acumular embaixo dos meus olhos conforme eu não conseguia encontrar mais nenhuma solução. Eu estava ardendo em medo e vergonha de colocar aquelas palavras para fora quando eu fingia que não era o que eu era há tanto tempo, ajudada pelos boatos de alguns caras que insistiam em falar que haviam dormido comigo para ganhar vantagem em cima dos outros.

"Eu sei" respondi a Cela.

Abandonando o celular ao meu lado, ouvi uma batidinha até mesmo discreta em minha porta.

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