10.3 FUGINDO

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Quando perguntei para ela sobre um lugar mais tranquilo, eu não tinha nada em mente. Nenhuma chance de sucesso e nenhuma ideia de para onde levá-la, mas quando Drica concordou com a cabeça, minha mente começou a trabalhar em intensidade e eu só tinha uma opção.

As chaves do carro de Pepê estavam comigo, no bolso da minha calça. Ele havia me deixado com o carro para que eu pudesse levar nossa mãe ao mercado e eu tinha ido ao baile com ele, na esperança de lhe entregar as chaves e voltar para casa de carona ou a pé, visto que não era muito longe.

Por sorte, eu tinha me esquecido completamente daquele detalhe assim que eu vira Drica e, embora não fosse exatamente algo razoavelmente bom, teria que servir.

Enlacei minha mão na de Drica e a puxei através dos corpos suados e dançantes, nos esgueirando por espaços minúsculos até sairmos do meio da confusão. Drica ria alegremente, parecendo acostumada com toda aquela gente junta e eu estava contente em conseguir ouvir seu riso claramente, mesmo que não estivéssemos totalmente colados, agora que saíramos da area dos alto-falantes.

Afastados da confusão, ainda havia uma area grande de gente bebendo, dançando e se divertindo, sem se incomodar com outras pessoas esbarrando nelas, o que até parecia uma brincadeira mais saudável. Ali, nos trezentos metros de gente espaçada, dava para respirar e parecia mais calmo. 

Drica achou que pararíamos por ali, embora não tivesse dito nada, senti sua breve resistência ao quase parar de me seguir, mas ao ver que eu planejava continuar andando, ela se apressou a fingir que nada tinha acontecido, o que me fez sorrir de lado.

Sua inexperiência sobre como agir e seu medo de fazer alguma coisa errado me deixava cada vez mais encantado.

Acho que ela percebeu minhas intenções assim que conseguimos ver o carro de Pepê aonde eu havia estacionado. Senti sua mão apertar a minha com um pouco mais de força e percebi seus receios na hora, mas não parei até chegarmos ao veículo.

- Tudo bem? - perguntei, quando paramos ao lado do carro e eu soltei sua mão para destrancar as portas.

Drica desviou o olhar para o nosso entorno, a rua transversal à principal, onde ocorria o baile, quase deserta, com exceção de três caras fumando maconha e dois casais se pagando, todos a uma distância agradável de nós dois.

Ela parecia bastante incerta, mas quando seu olhar voltou ao meu, os braços se passando ao redor de seu corpo como um abraço, ela acabou por concordar com a cabeça e quando eu abri a porta do carro, ela foi a primeira a entrar, se acomodando no banco traseiro e parecendo um pouco fora de lugar.

Entrei atrás dela e fechei a porta ao meu lado, levando minha mão agora livre para sua coxa desnuda pelos shorts curto que ela usava. Seu olhar, meio perdido, levantou-se para encarar-me e eu sorri-lhe tranquilo, desejando que ela se acalmasse.

- Tudo bem mesmo? - questionei mais uma vez.

Eu não queria que ela pensasse que eu estava forçando uma situação porque não era, de longe, minha intenção. Nós iríamos até onde ela se sentisse okay em ir, mesmo que eu tivesse que sair dali para um banho gelado.

- Tudo - respondeu, apenas, com a voz baixinha.

Levei minha mão ao seu rosto e puxei-a vagarosamente para mim, encostando nossas bocas de forma leve e doce. Empurrei meu corpo um pouco para frente e aprofundei nosso beijo com Drica encostada no banco e eu em uma posição estranha, quase de frente para ela, mas eu seu lado. Suas mãos, finalmente, saíram da situação imóvel em que estavam, afundadas no assento, e foram aos meus ombros, apertando a capa de seus dedos em minha camisa.

As coisas foram ganhando intensidade aos poucos. Drica parecia, a cada segundo, mais confortável com nós dois e cada vez mais apreciadora das minhas carícias. Com seus primeiros gemidos distraídos e sua cabeça sendo jogada para trás, deixei minha mão arriscar subir de onde estava, em sua cintura, para seus seios.

Sua respiração faltou e ela arfou em busca de ar assim que eu alcancei um deles. Deixei sua boca livre porque eu queria ouvir suas reações e escorreguei meus dentes para a linha de sua mandíbula, sentindo, em minha mão, seu peito subir e descer com sua respiração alterada.

Drica não tinha o maior seio que eu já tinha visto ou tocado, mas sua firmeza juvenil impecável me fez fechar os dedos ao redor, sem dó, sentindo o seu bico enrijecido pelas tensões que eu lhe provocava.

Eu já estava completamente encantado no momento, mas Drica parecia ter a formula perfeita para me deixar em meus joelhos de tamanha apreciação e surpresa. Porque, em meio à sua total incerteza durante toda a noite, ela me deixou saber sua total certeza quando me empurrou contra o sofá e subiu em meu colo. Meu queixo caiu de surpresa e como eu congelei, ela deixou seus lábios pequenos e doces em meu pescoço, beijando e sugando cada pedacinho dele com adoração.

Sem me conter, minhas mãos subiram sua blusa, exibindo seus seios desnudos para meu toque, fazendo-a arfar alto e desistir de se concentrar em meu pescoço. 

Segurei-a, com ambas as mãos, pela cintura, meus lábios voltando a sua boca para um beijo voraz que Drica correspondeu à altura, escorregando as mãos pelo meu peito, por cima da camisa e empurrando seus dedos por dentre meus músculos.

Abri meus olhos, encerrando o beijo e encarei-a jogando a cabeça para trás e respirando fundo ao sentir que eu puxava-a para mais perto e minha ereção crescente se acomodou no meio de suas pernas. 

Minha boca encontrou com um dos bicos de seu seio e ela apertou as unhas em meu abdômen, por debaixo da camisa que eu nem havia percebido que ela levantara as bordas para se enfiar debaixo. Suguei-o sem dó, sentindo sua resposta positiva, antes de dar um pouco de atenção ao outro.

Drica se empurrou contra a minha ereção e eu arfei em desejo, soltando seus seios e voltando minha boca para seus lábios deliciosos. Sem me controlar, minhas mãos foram ao seu short e, desprovido de inteligência, em puxei-o para baixo, tentando tirá-lo sem abrir seu botão ou zíper.

Ela desapareceu de meu colo naquele momento e no tempo que eu demorei para me concentrar em etender o que havia acontecido e abrir meus olhos, ela já havia saído do carro, batendo a porta e correndo rua abaixo no caminho que deveria ser de sua casa, sem sequer olhar para trás.

Lerdo, apertei os olhos e fiz uma careta. Restou encostar a cabeça no vidro e respirar fundo. Drica tinha, sim, um limite e eu havia cruzado depressa demais.

Voltando a mim e sabendo que segui-la só iria piorar as coisas, peguei meu celular no meu bolso traseiro e digitei-lhe uma mensagem, pedindo desculpas e lhe informando que estava tudo bem. E no meio das mensagens, achei uma de minha mãe, de uma ou duas horas trás, com alguns dizeres que me fizeram sorrir na certeza de que Drica não conseguiria fugir de mim por muito tempo.

Toque de Recolher [NO MORRO]Leia esta história GRATUITAMENTE!