10.2 DEMAIS

1.7K 187 14

Não sei o que Cela e Drica conversaram, mas quando cheguei, não havia mais nenhum sinal da loira e Drica parecia ainda mais contente e relaxada quando eu lhe ofereci sua própria garrafa de cerveja.

Passei um de meus braços pela sua cintura, a minha garrafa sendo segurada pela outra mão, e voltei a nos balançar lentamente e totalmente fora do ritmo quente e envolvente que nos estourava os tímpanos.

- Cela? - perguntei em sua orelha.

Ela soltou uma risadinha enquanto tomava um gole de sua cerveja do gargalo, fazendo com que quase se engasgasse e sua risada aumentasse um pouco mais, me obrigando a acompanha-la no riso.

Apoiou o rosto em meu peito como anteriormente fazia e senti-a suspirar, tentando controlar a respiração que começava a acelerar. Embora eu quisesse puxá-la para um canto e voltar a beijá-la, deixei que ela tentasse relaxar em minha companhia antes de arriscar qualquer coisa e acabar assustando-a demais.

- E você? - perguntei. - Estraguei sua noite?

Drica afastou o rosto do meu peito e me encarou com seus olhos escuros arregalados e atentos, parecendo se embeber mais de minha expressão do que se sua cerveja.

- Não... - murmurou e eu não a ouvi, mas seus lábios se moveram de forma inconfundível. - Você melhorou ela, sem dúvida nenhuma.

Sua resposta não me deixou nenhuma dúvida que as minhas intenções eram as mesmas que as dela, embora ela estivesse assustada. Com um sorriso provocado pela certeza, levei a mão que estava em sua cintura ao seu rosto e  espalmei-a em sua bochecha, acariciando-a com meu polegar.

- Você é tão linda, Drica... - disse-lhe, desejando que ela pudesse entender, embora meu tom de voz não estivesse muito elevado. - Tão linda...

Como esperado, minha boca foi até a dela e começamos a nos beijar delicadamente, tal qual os elogios nos guiavam para. Mesmo com a garrafa de cerveja em minha mão, posicionei em sua cintura, empurrando-a levemente contra a parede atrás de si. As mãos delas se fecharam atrás da minha cabeça, com a garrafa pendurada entre elas e o gelado da cerveja colaborando com os arrepios do meu corpo.

- Você também é lindo - ela disse, quando eu afastei meus lábios dos dela mais rápido do que eu gostaria, ainda com receio de ser demais e assustá-la.

Sorri de lado em agradecimento e tomei um gole de minha cerveja, Drica me imitando logo em seguida.

Achei que, para ela ficar totalmente relaxada, fosse melhor tentar conversar algo comum e fazer coisas de leve, beijinhos bobos, carinhos doces, o que fosse necessário para ela não arregalar mais os olhos ao me ver aproximar meu rosto do dela.

- Vai trabalhar no carnaval? - perguntei.

Ela deixou os olhos arregalados de lado para cerrá-los em minha direção e eu não entendi o porquê, mas arrisquei um sorriso, apenas porque estava achando graça.

- Vou - disse. - Mas não aqui. Vou ser guia-turístico pelas próximas duas semanas.

Levantei minha sobrancelha, um pouco admirado pela informação. Ela, de guia-turístico, ia ser de ainda mais difícil acesso do que trabalhando no bar. Provavelmente passaria os dias andando pelo centro da cidade e a Zona Sul.

- Legal - falei, apesar dos meus pensamentos. - Posso te ligar se eu estiver pela cidade, então? - perguntei.

Meus planos de ficar em casa e, no máximo, curtir o carnaval na favela, mudaram automaticamente para os blocos do centro e da Zona Sul quando Drica concordou com a cabeça e com um sorriso.

- Tudo bem - respondeu.

Deu de ombros para ilustrar a indiferença, embora parecesse ansiosa para isso. Foi minha vez de cerrar os olhos em sua direção.

- E você vai me responder, dessa vez? - questionei.

Drica ficou desconfortável na hora e eu me arrependi de ter feito a pergunta instantaneamente. Ela se encolheu, afastando-se levemente de mim e desviou o olhar.

- Me desculpe por isso... - murmurou. - Eu não sabia o que te responder e eu acabei... Não respondendo.

Levei minha mão ao seu rosto, segurando seu queixo e levantando-o para que ela voltasse a me encarar nos olhos, embora claramente envergonhada.

- "Oi" está bom - garanti-lhe.

Ela riu, mas ainda estava envergonhada e tentou desviar o olhar do meu, mesmo que ostentasse um sorriso esperto e arteiro no rosto.

- Vou tentar - disse, por fim.

- Promete?

- Prometo.

Como que para selar a promessa, nós nos beijamos. E com o acordo feito, Drica pareceu ainda mais relaxada, o que me levou a pensar que, talvez, ela estivesse apenas envergonhada por seu comportamento anterior.

O beijo foi ganhando velocidade e voracidade conforme eu a empurrava contra a parede. Por longos dois minutos, nos beijamos sem interrupção até que Drica quase derrubou sua garrafa de cerveja e acabou soltando uma exclamação de susto, encerrando o beijo. Acabei soltando uma risada baixa que se encerrou quando entreabri os olhos e vi Drica com os seus fechados, a respiração alterada e o lábio inferior preso pelos dentes, tentando se conter. 

Engoli a seco.

Com uma mão em sua cintura exposta, levei a outra, que já segurava minha garrafa, para pegar a dela e coloquei ambas pela metade no chão ao nosso lado. Instantaneamente, empurrei-a contra a parede e levei meus lábios ao seu pescoço, ouvindo um gemido quase tímido e inaudível escapar pelos seus lábios, em aprovação. Suas mãos, em minha nuca, mostraram-me suas unhas, fincando-as em minha pele.

Não havia nenhum receio, nenhuma demonstração de seu medo e envergonhamento anterior. Drica estava relaxada e envolvida, me dando ainda mais certeza de sua condição quando senti seus dentes em minha orelha, ambiciosos e ousados, me fazendo estremecer.

Levei meus lábios à sua orelha, traçando um caminho de fogo pelo seu pescoço e pela linha da mandíbula, além do ao redor da orelha, antes de espelhá-la e fincar meus dentes em seu lóbulo.

- Você quer ir pra um lugar mais tranquilo? - perguntei.

Não tinha muitas esperanças de sucesso, mas um cara podia sonhar.

E o sonho podia virar realidade, com certeza, porque Drica concordou instantaneamente com a cabeça, como se meu desejo quase desesperançoso fosse também seu.

Toque de Recolher [NO MORRO]Leia esta história GRATUITAMENTE!