Chapter 27: Negar e agir naturalmente

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[Gabi]

Depois da ultima gincana do dia cada um foi para o seu chalé e eu e Louis fomos caminhando e conversando para a cabana do lago.

– Então, tá com sono? - Ele perguntou fechando a porta.

– Na verdade, não. - Disse me sentando na cama - Mas vou dormir de qualquer jeito porque amanhã pretendo ir a trilha. - Completei e entrei no banheiro. Depois do banho vesti meu pijama e sai. Lou sorriu pra mim e foi tomar seu banho. Então estava lá eu, deitada na cama olhando pro teto e sorrindo como uma boba, pensando em como minha relação com Louis mudou tanto em apenas um dia de acampamento. De repente Louis sai do banheiro só de toalha e pega seu pijama que estava em cima da cama.

– Esqueci a roupa... - Disse e corou um pouco, eu sorri e ele voltou. Depois de cinco minutos ele sai do banheiro, apaga a luz, me da um beijo na testa e deita em sua cama. Passam 5, 10, 15, 20 minutos e nada de eu conseguir dormir.

– Lou? - Perguntei quase num sussurro.

– Sim? - Ele respondeu no mesmo tom.

– Não consigo dormir...

– Dorme pequena, amanhã a gente vai acordar cedo. - Quando ele me chamou de pequena meu coração disparou. Pequena? Isso tá ficando estranho. Fechei os olhos na tentativa de dormir, e depois de uns 5 minutos consigo ouvir uma leve garoa bater no telhado da cabana. Logo essa garoa se transforma em uma chuva forte, e começa a trovejar alto de mais. Começo a ficar com medo (sim, eu tenho medo de trovões e relâmpagos, ainda mais no meio do mato) e a cada trovão que eu ouço fico mais apavorada - Gabi, você tá bem? - Lou disse levantando e acendendo a luz. Eu estava tremendo, uma mistura de medo e frio, porque além de estar chovendo a cabana era no meio do mato e perto do lago tornando-a mais gélida.

– S-sim - Disse gaguejando e me agarrando cada vez mais na fina coberta que usava pra me esquentar.

– Não está bem nada. Tá com frio? - Ele perguntou apagando a luz e sentando em sua cama de novo.

– Um pouco. - Disse me virando pro lado aposto que a cama dele estava. Louis não disse mais nada, apenas se levantou e deitou do meu lado na cama abraçando a minha cintura e então ficamos na famosa posição conchinha. Nessa hora meu corpo passou de gelado pra fervendo, meu coração batia devagar e rápido ao mesmo tempo, senti minhas bochechas queimarem, mas aquilo estava realmente bom. A chuva só aumentava mas agora eu nem ligava, me sentia protegida com Lou ali me abraçando. Seu queixo estava apoiado sobre minha cabeça permitindo que eu sentisse sua calma respiração - Lou, por que está fazendo isso? - Perguntei acariciando seu braço que estava sobre minha cintura.

– Isso o que? - Perguntou.

– B-bem... - Exitei um pouco - Está me ajudando, fazendo eu me sentir protegida. - Respondi corando de leve.

– Não sei, só sei que deu uma vontade de cuidar de você de repente. - Ele respondeu depois de pensar um pouco, e é nessa hora que meu coração para de vez.

– C-cuidar de mim? Mas você me odeia Lou! - Disse me virando e ficando de frente pra ele.

– Eu já disse que não te odeio! - Disse me encarando com aqueles lindos olhos azuis.

– Mas você sempre implicou comigo e... - Ele colocou o dedo indicador na minha boca em sinal de silêncio.

– Já discutimos isso hoje, não é? - Sorri de leve. E lá estava eu de novo perdida naqueles dois olhos que pareciam uma pequena parte do imenso mar azul. Ele me olhava com intensidade, colocou a mão na minha nuca e o seu dedão acariciava minha bochecha. E então foi se aproximando, aproximando cada vez mais, mas quando fomos selar nossos lábios Louis desviou e beijou minha bochecha. Como eu me senti? Iludida, é claro que um menino lindo como o Lou nunca ia olhar para uma garota como eu - Vai dormir, vai. Fica tranquila que eu estou aqui e vou te proteger - Ele disse e sorriu. Eu dei um sorriso fraco, me virei de novo e ficamos na mesma posição que estávamos antes. A chuva ainda estava forte, mas eu não ligava porque tinha Louis ali pra me proteger, ou pelo menos era o que eu achava, ou melhor, o que eu sentia. Me sentia protegida.

[...]

Acordei meio assustada com o som que parecia uma trombeta. Lou ainda estava abraçado em mim, dormindo como uma pedra. Sorri e me sentei na cama, mas sua mão ainda estava enrolada em minha cintura.

– Lou, acorda... - Balancei ele de leve.

– Não mãe, mais cinco minutos... Ou cinco dias! - Ele murmurou e eu ri, fazendo ele abrir um olho só - Bom dia, pequena. - ele disse e abriu um sorriso encantador, me fazendo sorrir sem nem pensar duas vezes. Ele se sentou e me deu um beijo na bochecha. - Dormiu bem?

– Depois que você deitou do meu lado, melhor que nunca. - Sorri mais ainda e ele também.

– Que bom... Mas vamos nos arrumar que hoje iremos pra trilha. - Lembrei da trilha mas a verdade é que eu não tava com a minima vontade de ir, mas como era tradição eu nunca falto, além do mais, aposto que a Júlia não vai deixar eu ficar.

– Tudo bem. - Disse e me levantei. Fui até o banheiro e peguei minha escova de dentes, Lou chegou do meu lado e fez o mesmo. Agora estávamos eu e Louis, escovando os dentes lado á lado nos olhando através do espelho e fazendo caretas um para o outro. Depois que cada um se arrumou, fomos caminhando para o refeitório.

– Você vai na trilha, né Lou? - Perguntei.

– Claro, não perderia você levando tombos por nada. - Disse eu revirei os olhos - Calma menina, eu vou estar lá pra te segurar. - Completou e eu olhei pra ele surpresa. Continuamos andando agora em silêncio, até eu sentir sua mão quente encostar na minha que estava gelada. Com aquele toque meu corpo estremeceu, foi como se eu tivesse levado um choque. Agora estávamos com os dedos entrelaçados andando em direção ao refeitório. Chegamos lá e separamos nossas mãos se não iriamos levar uma chuva de zoações. "Ah não, tava bom daquele jeito" pensei comigo mesma, mas logo tratei de tirar esse pensamento da cabeça, afinal, eu odiava o Louis e ele me odiava, não é? Ou não? Argh, odeio ficar confusa. Pegamos nosso café e sentamos juntos com os meninos e as meninas, percebi que eles nos olhavam com cara de malícia.

– Que foi? - Perguntei arqueando uma sombrancelha.

– Que foi o que? Não foi nada! - Harry disse com um sorriso bem grande e malicioso na cara. Estranhei, e agora eu queria saber o que era. Ficamos conversando e eu só estava estranhando o comportamento daqueles 8, eu e Louis não estávamos entendendo droga nenhuma. Depois que terminamos, foram separados quem ia e quem não ia na trilha. Eu, Júlia, Louis, Zayn e Niall íamos, Harry pretendia ir, mas mudou de ideia de repente depois que Rafa disse que ficaria na cachoeira. Então cada um pegou os mantimentos que precisaríamos, como água e fomos saindo do refeitório. Antes de eu por o pé pra fora, alguém puxa meu braço e sussurra no meu ouvido.

– Todos nós vimos você e Louis de mãos dadas, ou vai negar? - Rafaela diz e eu coro imediatamente. Me solto dela e saio com pressa sem dizer nada, mas pude decifrar que em seu rosto mantinha um sorriso vitorioso.

– Louis, eles viram! - Sussurrei em seu ouvido.

– Viram o que menina? - Agora já entrávamos no meio das árvores.

– A gente de mãos dadas! - Eu disse e ele me olhou incrédulo.

– Quem te disse isso? - Perguntou.

– A Rafaela, por isso eles estavam estranhos. - Estávamos sussurrando.

– Ei vocês dois, dá pra pararem de namorico ai? - Júlia gritou de trás da gente, ela estava com Niall e Zayn do seu lado. Apenas mostrei o dedo do meio e eles riram.

– O que a gente faz? - Perguntei voltando a sussurrar em seu ouvido.

– Negue tudo e haja naturalmente. - Disse e eu dei de ombros tentando não me importar com a situação, mas era realmente impossível. Eu e Louis sempre nos odiamos e sempre vamos nos odiar, não podemos deixar eles acharem que gostamos um do outro, ou ao menos saberem que rolou um clima na "noite chuvosa e fria" lá na cabana. Negar tudo e agir naturalmente, era o que eu tinha que fazer. Mas como agir naturalmente se quando estou perto dele fico completamente nervosa? Se quando estou perto dele fico trêmula e minhas mãos soam? Se quando vejo o seus olhos me perco neles, se quando sinto seu perfume meu mundo gira? Eu não sei o que está acontecendo, mas eu devo negar e agir naturalmente.

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