Chapter 20: Eu não sou como as outras

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[Bianca]

Acordei com um barulho de mensagem no meu celular, era do Matheus. Eram quase dez horas, levantei em um pulo da cama e abri a mensagem:

"Eu esqueci de te perguntar seu endereço, pode me passar agora?"

"Ah claro, desculpa. É..."

Passei meu endereço pra ele e tomei um banho rápido, me troquei e fiquei assistindo televisão enquanto ele não chegava. Quando a campainha tocou meu coração disparou. Respirei fundo e me levantei, abri a porta e ele estava lá olhando pro nada, lindo como sempre. Nossos olhares se cruzaram e eu não conseguia desviar, muito menos ele.

– O-oi. - Ele disse gaguejando um pouco e me dando um beijo na bochecha.

– Oi. - Sorri pelo beijo.

– Então... Vamos fazer o trabalho?

– Ah, claro... Entra. - Eu disse abrindo mais a porta dando passagem pra ele entrar - Eu vou lá em cima pegar meu caderno rapidinho e já volto... Fica a vontade. - Eu disse subindo a escada. Peguei meu caderno e o resto do material que a gente precisaria e desci de novo - Vamos fazer na cozinha? - Perguntei parando na porta da mesma.

– Pode ser. - Ele levantou e pegou sua mochila que tinha jogado no sofá. Fomos pra cozinha e começamos a fazer o trabalho. Minha mãe ainda estava dormindo então tentamos fazer o menos barulho possível, mas foi em vão.

– Que barulheira é essa? - Ela perguntou descendo toda descabelada da escada.

– Ah, mãe. - Eu disse me virando pra ela - Esse aqui é o Matheus, a gente tá fazendo um trabalho de ciências.

– Por que não me avisou que teríamos visita? - Ela perguntou dando um sorriso pra ele em forma de comprimento, que retribuiu o mesmo.

– Eu... Esqueci. - Disse a verdade, realmente nem lembrara de dizer a ela sobre o trabalho.

– Tudo bem, então... Hoje seu irmão não tem aula, então eu vou ficar lá em cima. Você se vira pra ir pra escola? - Ela perguntou subindo um degrau.

– Sim, pode ficar tranquila. - Dei um meio sorriso e ela retribuiu e logo depois subiu as escadas - Podemos continuar? - Perguntei meio sem graça.

– Claro... - Respondeu e então continuamos. Acabamos e já eram quase meio dia, iriamos juntos pra escola então pedi que ele esperasse na sala enquanto eu me arrumava. Depois desci, peguei minhas coisas e saímos. Andamos conversando e dividindo o fone de ouvido. Antes de virar a ultima esquina pra escola Matheus me puxou e me encostou na parede, se aproximando cada vez mais de mim. Não havia ninguém na rua e eu estava perdida em seu olhar, enquanto ele também se perdia no meu. Uma parte de mim queria muito beija-lo, mas outra parte dizia que não era o certo a fazer. Faltando poucos centímetros para nossos lábios se encontrarem eu dei um leve empurrão nele e virei a esquina, deixando ele lá e repetindo para mim mesma "seja difícil, não se entregue". Entrei na escola correndo sem nem olhar para trás, sentei no meu lugar e não me atrevi a olhar para a porta esperando ele chegar. As aulas passaram de vagar e no intervalo Matheus tentou falar alguma coisa comigo, mas eu não dei chance, só corri pro banheiro e tentei me controlar para não ceder aos encantos dele, pois sabia que seria só mais uma. As duas ultimas aulas passaram bem lentas, mas quando bateu o sinal saí o mais rápido possível. Quando eu ia virar a esquina sinto alguém me puxando, e sim, era ele. Ele se aproximou do meu ouvido e cochichou: "Por que foge tanto de mim?", resolvi jogar o seu joguinho e provoca-lo também, então cochichei em seu ouvido: "Porque eu não sou como as outras". Pisquei pra ele e continuei andando sem dar tempo dele me responder, ignorei todas as vezes que ele chamou o meu nome. Andei tranquilamente pra casa ouvindo minhas músicas e sorrindo só de pensar que ele queria me beijar. Se estou me iludindo? Não, eu sei muito bem que ele só quer ficar comigo e depois pular fora, mas resolvi que vou entrar no jogo dele. Entrei em casa procurando por Júlia para contar tudinho a ela, mas ela não estava. Fiquei assistindo televisão sozinha, meu irmão deveria estar na casa da minha vó já que não teve aula hoje e minha mãe não podia deixar ele sozinho enquanto trabalhava. Quando ouvi a porta se abrindo, vi que Júlia entrava com um sorriso bobo no rosto e depois acenara para alguém. Gritei o nome dela que logo me olhou assustada.

– Que isso menina, quer me matar do coração? - Disse fechando a porta.

– Você não vai acreditar no que aconteceu hoje. - Eu disse puxando ela pela mão para se sentar no sofá. Contei tudo á ela, dez de quando estávamos indo a escola até a hora da saída. Ela ficou uns instantes quieta me olhando com a boca entreaberta processando tudo.

– Ele já tentou te beijar duas vezes. - Disse dando enfase no "duas" - Eu não acredito nisso! - Exclamou e eu fiquei meio envergonhada - Ainda bem que você não deixou, continue resistindo e se ele continuar correndo atrás é porque ele gosta de você.

– Bom, continuar resistindo eu vou, mas duvido muito que ele vá gostar de mim pra valer.

– Você tem que parar de ficar achando que ele não vai gostar de você! Não vejo nenhuma razão para um menino não se apaixonar por uma menina linda como você. - Ela disse indignada pela minha "auto-confiança".

– Porque ele é popular, lindo e tem todas aos pés dele? - Disse como se fosse óbvio.

– Todas não, ele não tem você! - Apontou para mim - Meninos querem ter o que não podem, confie em mim. - Ela piscou.

– E ele ficou tentando me provocar sussurrando no meu ouvido, tentando me fazer ceder. Quer saber? Vou começar a jogar o jogo dele, a provoca-lo também. - Eu disse decidida.

– Só toma cuidado pra você não acabar se apaixonando. - Ela disse em um tom de "estou avisando".

– Pode deixar, não vou.

– Ok, agora eu vou subir e tomar um banho e depois dormir porque tô exausta. - Ela disse se levantando.

– Dia difícil?

– É... Um pouco. - Ela disse e deu um sorriso fraco - Boa noite, parceira. - Deu um beijo em minha testa e eu retribuí, ela subiu e eu voltei a assistir um filme qualquer que passava na TV. Depois que o filme acabou eu resolvi subir, já eram quase onze horas. Tomei um banho, mexi um pouco no computador e quando eram meia noite e pouco resolvi me deitar. Dormi rápido pois estava cansada.

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