Lucas

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    Tinha uma reunião na segunda de manhã. Não estava com cabeça para nada, mas meu pai, muito gentil, fez com que eu assumisse a área de divulgação da empresa. Meu irmão estava preso, sabe-se lá Deus por que.  Meus pais nunca me disseram o que tinha acontecido realmente, só disse que foi um mal entendido e que nossos advogados resolveriam e desde então eu não consigo fazer merda nenhuma. Meu irmão era meu exemplo!  Já fazem 3 anos que ele esta preso e 3 anos que eu choro todos os dias por isso.

   Queria colocar outra pessoa no meu lugar, mas meu pai não deixou e ficou falando que eu tinha que ter responsabilidade e não sei o que mais. No auge dos meus 23 anos, tenho que ouvir sermão do meu pai... ooh senhor, dai-me paciência. Foi por causa desse sermão que não desmarquei a reunião e irei a ela.

    Como hoje é sábado vou sair com os caras. Sábado é de lei, sempre saímos para algum barzinho ou boate e não é só pra cada semana levar uma pra cama não, na maioria das vezes só ficamos lá bebendo e damos uns "amassos", como diria minha querida sobrinha, com seus 14 anos. Já são 20h, entao só tomo uma ducha rápida, coloco uma calça jeans, um sapatênis e uma camisa pólo.  Pego meu relógio, celular e carteira e saio de casa.

    Passo primeiro na casa do Alex. Somos amigos de longa data e ele não dispensa uma saída.  Ele está vestido no mesmo estilo que eu, o que faz sentido, ja que quase todo mundo se veste assim por aqui.

   - E ai Luluzinha, ta pronto pra hoje? - ele bate a porta e ri da minha cara enquanto puxa o cinto de segurança.  - Aaah, vai dizer que depois de todos esses anos ainda fica bravo com seu apelidinho?

     É óbvio que eu fico bravo!!! Olha os apelidos que o ser me coloca.  Isso tudo porque a anos atrás a gente foi brincar de salada mista (isso faz muuuuuuito tempo) e eu apontei pra ele sem saber (até porque você aponta de olhos fechados). Ele não era meu amigo ainda, mas adorava tirar uma com a cara de todo mundo. Quando eu vi que saiu ele, fiquei completamente sem graça, eu jurava que NUNCA, JAMAIS, EM HIPÓTESE ALGUMA beijaria um homem, então pedi pra apontar de novo, mas ele já tinha levantado e estava do meu lado. Todo mundo negou meu pedido e disse que eu não tinha privilégios, entao ele chegou perto de mim e disse:

   - Vai arregar agora, Luluzinha?

  Acabou que ele foi meu primeiro e último beijo com alguém do mesmo sexo e nós nunca mais paramos de andar juntos. Em compensação, meu apelido nunca mais desapareceu. 

   -  Eu estou indo pra beber. Não vou ficar de babá não, viu?!

   - Você nunca vai esquecer aquele dia né? ! - ele se referia ao dia em que me ligou as 7 da manhã, bêbado, para que eu fosse busca-lo e ainda vomitou no meu carro e no meu sapato mais caro.

   - Meu carro ficou fedendo por semanas! !

   - Amigo é pra essas coisas.

   O trânsito não estava caótico, graças ao bom pai e a um novo caminho que eu tinha descoberto,e em menos de meia hora já estávamos em frente a boate. 

    Hoje promete.

  

Coincidências do DestinoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora