Capítulo I

1K 76 10

-JÁ VOU! - Disse para Susan que como todos os dias, lhe aguardara na cozinha para o dejejum. Ali era o momento, o único local onde as duas mulheres se despiam, onde trocavam suas confidências.

- Eu não gosto desse seu trabalho Verônica, não gosto! - Ah como odiara as recriminações da mãe sobre seu trabalho sem ao menos conhece-lo.

- De novo Susan? Se tenho boa memória, acho que a senhora já me alertou sobre isso algumas centenas de milhares de vezes. - soltou brincalhona mas ao mesmo tempo impaciente.

- Vou continuar lhe alertando até o dia que me ouça minha filha, não gosto de te ver metida com isso, não te criei para esse tipo de trabalho, tente superar o que passou, assim como eu estou tentando superar, já fazem vinte anos, por favor, largue a carreira militar. - repreendeu utilizando a mesma e a mais famosa de suas ladainhas.

- Da carreira militar eu renunciei faz tempo mãe... Agora sou a agente especial Willians, sirvo a Interpol, se esqueceu? - mordeu um pedaço generoso de maçã.

- Para mim dá no mesmo, são todos da mesma raça, só servem para bater continência no dia quatro de julho. Quando nos mudamos para cá eu realmente pensei que teriamos um pouco sossego. - a mãe bebericou um gole de seu café preto.

- E temos mãe, não seja tão dramática e ingrata, temos tudo o que podemos ter e eu sou feliz assim. Amo o meu trabalho, mesmo que não acredite. - se adiantou prepararando-se com suas armas e os equipamentos, ali mesmo na cozinha.

- Você pensa que é feliz, mas não é verônica, ainda não. - Susan bufou encerrando a conversa equanto os pensamentos mais infelizes invadiam sua mente... Tudo isso por causa daquele porco do Carlos... Oh como se sentia culpada.
***

ALGUNS ANOS ATRÁS, mesmo com a triste perda de sua pedra, sua sustentação, seu primeiro marido, Susan decidiu permanecer no país que escolherá para viver com Pedro, seu primeiro amor. Um tempo depois da tragédia, tornou-se uma corretora de imóveis dedicada e astuta, aos poucos fora crescendo na carreira, que por sua frágilidade sentimental, virou prioridade em sua vida. Tornandi-se reconhecida pelo sucesso de suas vendas e negociações no Brasil. A gringa tinha "lábia", solucionava tudo o que lhe era proposto no mercado imobiliário. Sozinha, viúva e agora mãe solteira a sorte voltava a lhe sorrir.

Três anos depois, com a dor do abandono de Pedro já um pouco amenisada, Susan conheceu Carlos, um jardineiro gentil, hábil com as palavras, aparentemente carinhoso e esperto que lhe ofereceu em troca de coisa alguma, uma fórmula milagrosa contra a solidão. Susan o agarrou, se prendeu a possibilidade de ter um marido, de dar um pai para filha de sete anos, fez tudo sem pensar ou imaginar que estava diante de um lobo, um lobo em forma de cordeiro.

A filha, Verônica passava a maior parte do dia com Salamantra, mãe de Pedro, algumas vezes Carlos fazia questão de cuidar da menina, mas a sua boa vontade desaparecia tão repentinamente quanto aparecia, outras vezes ele se mostrava cuidadoso demais, preocupado demais, noutras ciumento demais, indiferente demais... Amor e ódio, ódio e amor... Isso por vezes intrigou Susan, mas a mesma não se dava o trabalho de perder o sono por causa das manias loucas do marido. Uma pena...

A vida fluiu, Verônica voltou a fazer xixi na cama, O que era muito estranho... Ela já tinha nove anos, seu corpo já dava sinais de transformação de menina para mulher, porque regrediu?... Aliás porque estava tão calada ou resmungona até mesmo chorona... Havia algo de errado.

Aos dezessete dias do mês dezembro, mais uma tragédia, dessa vez pior, se abateu sobre a família Willians, o mal não fora só físico, como uma doença ou morte... O mal dessa vez, em maior parte, fora espiritual, quer coisa pior?

Susan fora agraciada pela primeira vez em anos, com uma folga premiada, ela recebeu um prêmio que a consagrou por três vezes seguidas: A FUNCIONÁRIA DO MÊS, muito feliz a corretora saiu ao meio dia de uma sexta-feira com intenções claras de repousar e comemorar em casa, junto de sua filha, reconhecera que a menina tinha muito pouco de sua atenção, era negligente, apesar de sentir que algo não andava bem com a criança que mais amava.

A surpresa demasiadamente desagradável e cruel veio quando ela colocou seus pés dentro de casa e ouviu um choro e alguns gemidos de dor ao longe... Imediatamente, em estado de alerta, ela percebeu que reconheceria a quilômetros de distância aquele tom de voz, o extinto de proteção quase rasgara seu peito. "Minha menina... Perigo! perigo! Verônica estava em perigo."

Zelosamente, cautelosamente e furiosamente, Susan caminhou pensando na possibilidade de ser um bandido, afinal a casa era desprotegida, sem muros e proteções tecnológicas, vulnerável demais. Descalça ela tateou o chão de madeira, alcançou uma barra de ferro que se desprendia da cortina da sala e como a maioria das mães fariam, avançou com o intuito de ser a heroína da filha.

A surpresa viera quando a mulher imediatamente reconheceu a silhueta do homem que não, ele estava a tomando a força? Carlos? O homem que ela colocou dentro de casa para proteger e amar a sua família?! Grande Desgraçado! Tremeu com a descoberta, ela é só uma criança! Soluçou atraindo a atenção do monstro para si. Carlos a encarou entre confuso e assustado e quando costatou que nada seria capaz de justificar o que os olhos da mulher acabara de ver, tentou atacar. "Bendita barra de ferro!" Pensou quando acetara em cheio a cabeça do covarde manuseando o objeto. Com o homem completamente desmaiado, ela aproveitou para sair correndo para a casa da velha Salam, só ela seria capaz de protegê-las nesse momento tão complicado e vergonhoso, Susan só conseguia pensar no tamanho de sua falha como mãe.
***

- Já vou indo mãe, estou atrasada, fique bem! - Verônica a tirou da triste letargia e lhe soprou um doce beijo do vão da porta.

- Vá com Deus minha filha, qualquer imprevisto não deixe de me avisar. - respondeu com pesar, se lamentando e ainda se culpando por aquilo que um dia, não pode evitar.

- Avisarei - disse já do lado de fora - acho que teremos uma semana difícil mãe... - concluiu andando cabisbaixa em direção, ao Jipe pressentia algo estava errado.

- Porque filha? - Susan insistiu intrigada.

- A noite Susan, a noite eu te conto! Tchaaau - gritou e dando partida em direção a mais um dia de batalha.

***

- Bom dia Lane! - saudou

- Bom dia Verônica. - respondeu a atendente sem lhe dar muita atenção.

- Muito trabalho? - Verônica perguntou a colega baixutinha, que se esforçava para pegar uma pasta no canto da última prateleira do armário.

- Não muito, o de sempre, você sabe - Verônica se aproximou para ajuda-lá - o senhor Wenne disse bem cedo, que precisava muito falar com você, acredito que deva ser sobre aquele assunto misteriooossoo. - tremeu as mãos para enfatizar o que dizia.

- É, - verônica sorriu - eu sei, vim preparada. - completou alcançando a pasta e a entregando a companheira.

- Não se preocupe, ele te adora! - Lane gracejou.

- Não tenha tanta certeza baixinha!

- Hei, eu não sou baixinha! Não tenho culpa se vocês é que são altos demais, para o resto da população mundial sou perfeitamente normal.

- Eu sei baixinha - Verônica repetiu para irritar - até mais... O serviço secreto me chama.

É Verdade, Lane não era tão baixinha com seus 1.68, mas para uma instituição como a interpol, que exigia de seus componentes, altura acima de 1.80 para homens e 1.70 para mulheres era um pouco pequenina. Verônica estava ali entre os 1.73, 1.74, mediana e capacitada para exercer exemplarmente seu papel.

A interpol é uma instituição respeitada, desde seu nascimento na França, se espalhou por 181 países combatendo os crimes que causaram desordem nacional.

Em washington, sob o batente da porta da sala que se abrigava aos fundos do escritório, Verônica espreitou o velho Wanne que analisava com atenção a grande tela do computador.

- Entre agente! - ele ordenou sem nem mesmo a olhar - e venha até aqui, temos muito o que conversar. - Conhece Lucien Frebvre?

VerônicaLeia esta história GRATUITAMENTE!