A verdade, Harry!

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Bati com a ponta dos dedos nas teclas do piano, mas não conseguia tocar nada de interessante, inspirei bruscamente e levantei-me caminhando até à janela que estava embaciada, coloquei a minha mão nesta e olhei para a estrada. Harry partira com Luke para uma viagem de amigos e eu decidira ficar em casa, porém estava cada vez mais preocupada com a sua demora, se eu perdesse Harry não saberia o que fazer com a minha vida.

Caminhei nervosamente pela casa e arrumei tudo o que havia para arrumar, respirei fundo e fui à mercearia comprar comida e quando estava a voltar para casa vi que o carteiro tinha passado pela casa de Harry, caminhei até à mesma e quando lá entrei ainda conseguia sentir o cheiro do seu avô, sorri ao relembrar-me das suas gargalhadas e caminhei pelos corredores da sua casa. Abri a porta do quarto de Harry e um caderno de capa dura estava pousado bem no centro da sua cama, aproximei-me da mesma e peguei no tal caderno.

O tal caderno parecia ser bastante antigo e as recentes marcas na capa indicavam que alguém lhe havia tocado, muito provavelmente o Hazza. Sentei-me no colchão e abri a primeira página encontrado o nome da irmãzinha de Harry neste, a irmãzinha que fora a sua namorada. Engoli em seco e continuei a minha leitura, não tendo a certeza de que aquilo era o mais certo a fazer, mas com uma enorme curiosidade a assombrar a minha mente. O que sentia ela, como era ela? Pouco sabia sobre isso, apenas o que vira na infância e o que Harry me contava, mas ele odiava falar deste assunto.

"Mais um dia e mais uma discussão, não sei por quanto tempo é que isto poderá continuar. Sei que o amo, mas também quero viver, ele sufoca-me, eu sei que o amo, mas também quero desparecer, ele prende-me aqui. Talvez não seja fisicamente que ele me prenda, mas os seus jogos mentais assustam-me a cada dia que passa. Aquele negócio mudou o meu irmão, o meu namoradinho e eu não sei mais o que fazer para que ele se torne no mesmo rapaz que eu amava. Ainda me lembro da última vez que fizemos amor na cama dos meus pais, foi tão romântico e ele não deixou que nenhuma parte do meu corpo não fosse amada, mas apartir desse dia muita coisa mudou. Eu conheci a realidade, a verdade amarga que não devia ter descoberto. Se antes já discutiamos por tudo e por nada, depois daquela tarde tudo piorou. - 13 de fevereiro"

"Ele descobriu o que eu fiz, a sua confiança foi abalada. Aquele rapaz misterioso do bar tocou-me de uma forma que só Harry tinha feito até aquele dia e eu não me importei, eu implorei por mais, ele fez-me sentir num mundo totalmente diferente deste onde Harry tem o seu esquema manhoso do qual não consegue fugir. Ele não tem culpa, eu não devia saber - 19 de fevereiro"

"O sangue escorreu pelas minhas mãos e eu não tenho a certeza se fui vítima ou cúmplice de tal ato de crueldade. Nada mais é o mesmo, as discussões começaram a ser mais frequentes e não sei se conseguirei manter isto por muito tempo. Não duvido do seu amor por mim, mas ele não me podia ter obrigado a faze aquilo. Nós não matamos aquele homem, porque ele recebeu ordens em contrário, mas sei qual era o seu objetivo, o pagamento. - 22 de fevereiro"

" Vou-me embora para sempre, sabe lá Deus o que poderá acontecer comigo se não. Perdi tudo. A cada dia que passa as suas acussações tornam-se piores e eu não o posso impedir, ele tem razão, eu não passo de uma simples traidora que merece a morte. Não o vou fazer para que ele sofra, mas vou sim fazê-lo para que ele acorde e saia deste mundo no qual se meteu. Eu amo-o, mas sei que eu não sou o seu futuro. Todas as noites nos meus sonhos vejo o seu futuro claramente, ele vai salvar uma rapariga de longos cabelos pretos que vai passar por uma enorme dor. Vou apenas poupar trabalho aquela ceita que quando descobrir que eu sei toda a verdade virá atrás de mim. Não foi a maneira como ele me tratou que me levou a decidir partir, fui eu. Ele vai ser feliz e eu morrerei como sacrificio disso. - 15 de Março "

O meu coração parecia não bater por breves momentos, a minha garganta estava seca e mal conseguia respirar. Ao virar de cada página descobria algo que ele me escondia e eu não podia lidar com tudo aquilo, não assim, sozinha. Harry escondera-me grande parte da verdade enquanto eu pensava ser culpada por lhe ter omitido a morte dos meus pais durante tantos dias a fio. Nada fazia sentido e eu não sabia o mais o que dizer, devia enfrentar Harry ou esperar que ele me contasse todas aquelas coisas horríveis que eu descobrira? Que ceita era aquela que iria atrás da Taylor assim que descobrissem que ela conhecia toda verdade? Que verdade? A minha cabeça estava prestes a explodir com tanta informaão e o meu mundo caiu, afinal eu não conhecia o meu homem.

-Selena? -ouvi a sua voz.

-Harry? - sussurei enquanto me preparava para o confronto - A verdade Harry, a verdade e só a verdade.

-De que estás a falar? - disse confuso.

- Do que estou a falar? - levantei-me - Em que ceita é que estás metido?

O seu olhor intensificou-se e parecia que tinhamos voltado ao nosso reencontro após a minha mão embater na sua cara. A minha respiração estava acelerada e eu não sabia por quanto tempo mais aguentaria aquilo, olhei-o desconfiada e recuei enquanto ele se aproximava de mim.

-Tu não me tocas enquanto eu não souber a verdade toda, Harry. - disse tentando parecer firme.

Desculpem a demora, beijos xx

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