Acabei com a conversa, pois eu apenas queria silêncio. Levantei-me e fui até lá fora, onde aproveitei para fumar, só para me ajudar a desanuviar a cabeça. Está a custar tanto estar na mesma divisão que Zanna e não lhe poder tocar, beijar, abraçar e sem lhe poder dizer quem realmente sou.

“Andy----” Uma voz suave e feminina, chama-me, onde sei perfeitamente que é a da Zanna. Viro-me lentamente e vejo-a aproximar-se. “---- estás bem?”

“Sim.” Minto descaradamente.

“Eu não acho.” Ela pára ao meu lado e retira o cigarro da minha mão e leva-o até à sua boca, onde puxa e logo brinca com fumo que saía da sua boca e de seguida entrega-me. “Isto vai soar estranho----” Ela mexe no seu cabelo. “Mas eu sinto-me bem e segura contigo, como se te conhecesse. Sinto uma grande proteção vinda de ti, quando estou contigo. A minha vida não está a fazer qualquer sentido, mas quando tu apareces, parece que tudo entra nos eixos e que realmente começa a fazer sentido. É como se eu ganhasse um pouco de cor, pois sempre que desapareces, sinto-me novamente uma folha em branco. “Ela leva os seus olhos até mim. “Isto não é normal e deixa-me bastante confusa.”

“Também não te posso ajudar, porque até eu me encontro confuso.” Apago o cigarro, pois enquanto a ouvia, fumava. “Mas também me sinto bem contigo.” Um pequeno sorriso floresce nos meus lábios.

“Bom saber.” Ela baixa o seu olhar e sorri por entre os fios de cabelo. Ela sempre teve esse hábito de esconder o seu belo rosto por detrás do seu cabelo longo e preto, mas nunca fora uma pessoa envergonhada e agora é. Talvez seja uma mudança nesta nova fase de Zanna. “Isto ainda vai soar mais estranho, mas eu lembro-me que quando Ashton, meu melhor amigo e namorado da April estava a perder o controlo do carro, eu gritei o nome Andy que na verdade, é o mesmo que o teu e eu não sei o que isso significa.” Ela faz uma breve pausa e eu apenas tento manter as lágrimas que ameaçavam cair nos meus olhos azuis. “Eu tenho medo de te conhecer e não me conseguir lembrar de ti.” As lágrimas invadem o seu rosto. “Porque se eu te conheço, eu quero lembrar-me de ti, porque tu pareces-me tão familiar e eu sinto borboletas na barriga sempre que estás por perto e para além disso, tu já apareceste à frente da minha casa e o meu irmão conhece-te.” Ela leva as suas mãos até à cabeça e abana-a lentamente.

Aproximo-me e pego nas suas mãos e entrelaço as mesmas. “Está tudo bem, Zanna. Apenas respira.” Peço, pois ela está muito confusa, muito sufocada. “Tu acabarás por te lembrar das coisas, dá tempo ao tempo.”

“Mas eu não tenho tempo, Andy.” Ela levanta o seu olhar. “Eu posso estar a perder momentos fantásticos da vida ao não estar com esse tal Andy que desconheço, neste momento.”

Esse Andy, sou eu, Zanna.

As lágrimas começam a invadir o meu rosto. “Esse Andy está à tua espera, Zanna. Não acredito que ele desistisse de ti, porque se eu fosse ele, eu nunca desistiria.” Afasto-me, largando as suas mãos e limpo o meu rosto. “Eu nunca desistiria.” Repito e as lágrimas invadem o meu rosto com mais intensidade.

Pouco depois, sinto uns braços à envolver o meu corpo e vejo Zanna. Coloco o meu queixo em cima da sua cabeça e abraço-a também. “Eu sei.” Ela deixa escapar entre os seus lábios um murmúrio, mas eu consegui ouvi-lo.

“Vamos para dentro, está um pouco frio.” Digo, enquanto me afasto e deslizo as minhas mãos pelos seus braços que se encontravam gelados. Ela afasta-se o suficiente para conseguir limpar-lhe as lágrimas e o borratado. “Linda.” Elogio-a e tenho um pequeno sorriso esboçado no meu rosto.

Ela coloca-se em bicos de pés e limpa o meu rosto também. “Agora sim, estás bem.” Ela sorri e afasta-se. “Bem, vamos para dentro.”

Ela avança primeiro que eu e logo sigo. Assim que entramos, os outros três já se encontravam sentados à mesa à nossa espera para começarmos jantar. Zanna lamenta por nós os dois e sinceramente não tinha muita fome, só sentia vontade de ir embora e aliviar a minha dor através da música.

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