7.3 BEIJO

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Não nos beijamos durante o filme.

Não nos beijamos durante a pizza e as bebidas, logo após dele.

O nervoso logo se foi e eu fiquei relaxada em sua presença, com suas brincadeiras e seus sorrisos bobos. Ele parecia estar tentando fazer com que eu me sentisse bem e pouco demorou.

E embora tudo estivesse divertido e indo bem e o nervoso tivesse diminuído o suficiente para que eu estivesse confiante que meu primeiro encontro não estava sendo uma bosta, eu continuava sorrindo amarelo, sem saber exatamente como agir.

Ele ainda não tinha me beijado. E apesar de ter beijado meu pescoço e dado alguns beijinhos em minha orelha enquanto conversávamos aos sussurros durante o filme, minha boca continuava intacta.

Eu queria beijá-lo. Eu queria muito beijá-lo, mas não sabia exatamente o que fazer ou como fazer. Não sabia como isso funcionava nesses malditos encontros. E se eu me precipitasse e estragasse tudo?

Resolvi esperar. Resolvi deixar a cargo dele e lá estávamos nós, nos dirigindo para casa, e nada de eu ter seus lábios nos meus.

Comecei a listar tudo o que eu havia feito durante o encontro, procurando algum ponto onde eu tivesse errado e quebrado seu interesse. Mas, ainda agora, enquanto ele dirigia concentrado, eu conseguia ver seu olhar cair sobre mim por alguns segundos, várias vezes, e seu sorriso procurar pelo meu, que eu logo correspondia, antes dele voltar a olhar para o caminho à nossa frente.

Por que ele não tinha me beijado ainda?

Quando chegamos na esquina da minha rua, ele xingou um palavrão. Olhei para ele e vi que tinha uma Kombi parada na esquina e o cara parecia estar comprando alguma coisa com um dos caras do Pepê. Dei de ombros quando ele olhou para mim.

Parecendo contrariado, ele estacionou na esquina mesmo, em frente ao bar.

- Você fique aí - disse para mim.

Dez segundos depois, abriu a minha porta e me ofereceu a mão para me ajudar a sair. Eu ri, aceitando e, quando saí do carro, ele me abraçou pela cintura e me deu outro beijinho no pescoço, fazendo meu corpo todo tremer ao contato.

Encarei-o, confusa, não entendendo nada do que estava acontecendo e ele apenas sorriu. Seus lábios encostaram-se nos meus como no dia anterior e nada duraram, embora eu tivesse me jogado nele para tentar estender o contato. Soube, então, que aquilo fora um tranquilizante à minha expressão de pânico.

- Vem - puxou-me.

Caminhamos em silêncio pela minha ruela e paramos ao lado do meu portão. Virei-me de frente para ele, com a parede às minhas costas. Ele parou à minha frente.

- Eu... - minha voz nervosa quase não saiu e limpei a garganta, tentando destruir o bolo que o nervoso havia criado nela e, com isso, soar mais confiante - Eu me diverti muito essa noite.

Ele sorriu e eu só pude crer que eu estava soando muito patética. A menininha nova achando que o encontro tinha sido muito bom, quando, na verdade, tinha sido uma merda.

Engoli a seco e segurei a barra, tentando não começar a chorar na frente dele. Estava quase me despedindo quando senti sua mão e minha cintura e percebi que ele estava se aproximando.

O nó em minha garganta pareceu duplicar de tamanho e minha respiração logo pareceu acelerada. Eu estava em cima da calçada e a altura, somada aos saltos que estavam comendo meus pés, me deixava quase do tamanho de JP. Eu acho que era isso que Cela planejava desde o começo porque, quando seus lábios chegaram nos meus, eu não tive que me esticar e ele não teve que se abaixar. Parecia um encaixe sob medida.

Senti ambas as suas mãos em minha cintura e levei meus braços ao redor de seu pescoço entreabrindo a boca para a sua língua invadir a minha, com seus movimentos enlouquecedoramente bons.

Estava tentando não pensar em nada, mas a voz de Mila entoou em minha cabeça e eu só pude concordar com ela. Ele realmente beijava muito bem.

Puxou-me mais para perto dele, pela cintura, ao mesmo passo que me empurrou mais para a parede, colando seu corpo no meu, mas sem subir o degrau da calçada. Desci as mãos de seus ombros para seu peito, soltando uma exclamação de surpresa e apreciação por entre nossos lábios ao sentir seu peitoral rígido e bem demarcado. Exclamação idêntica a que ele soltou, apenas alguns momentos depois, ao escorregar suas mãos até minha bunda. Senti-o apertar a area ao mesmo passo que eu cravei minhas unhas em seu peito.

Arfei por ar e ele, concedendo-me, escorregou os lábios até meu pescoço, deixando um beijo bem mais apurado do que os seus ligeiros carinhos durante toda à noite.

A tensão nervosa tinha me deixado e havia sido substituida por toda aquela sensação de desejo descontrolado, querendo mais e mais de seus beijos.

Puxei seu rosto de volta aos meus e os lábios dele voltaram a me beijar sem nenhuma demora. A garota de doze anos dentro de mim estava dançando em ter seu desejo realizado enquanto a de dezessete... A de dezessete se esforçava em puxar o corpo do rapaz cada vez mais pra perto do seu, sem pensar exatamente no que estava fazendo.

Ouvi um barulho metálico e, então, um limpar de gargantas fez JP se afastar rapidamente. Abri os olhos para encontrá-lo encarando o meu portão e acompanhei seu olhar, dando de cara com a minha mãe.

Deixei meu queixo cair e imaginei se eu estava encrencada, ainda com os braços em volta de JP e com os dele ao meu redor, mas ela parecia estar feliz e se contendo.

- Adriana, querida - disse, calma, e me deixando tranquilizar. - Está tarde.

Concordei com a cabeça, me perguntando quanto tempo eu estava beijando JP. Não parecia muito, mas, ao mesmo tempo, parecia muito. Talvez, eu estivesse confusa demais para pensar em números.

- Eu já vou. - Minha voz saiu baixinha e imprecisa.

Ela concordou com a cabeça e desejou boa noite à JP, que respondeu com a mesma voz baixa e imprecisa que eu. E, com isso, ela voltou a entrar em casa, deixando o portão encostado, o que me dizia claramente que estava ok eu me despedir, mas se eu demorasse, ela iria me buscar pelos cabelos.

Sorri e pisquei os olhos demoradamente, sentindo JP apertar seus lábios nos meus.

Abri e fechei a boca, tentando encontrar algo para dizer, mas nada saiu. Ele sorriu e segurou meu queixo com as mãos, fazendo um carinho esquisito que me parecei delicioso.

- Eu também - murmurou. Eu não tinha certeza do que o "eu também" significava, mas se tinha a ver com aquela coisa gostosa que estava acontecendo na minha barriga, era muito bom. - Boa noite, Dri.

Concordei com a cabeça e ele se afastou, grudando nossos lábios mais uma vez.

- Boa noite - sussurrei de volta, minha voz pateticamente baixa.

Ele sorriu e eu sorri-lhe em retorno. E, então, entrei em casa, vendo-o se afastar de volta ao carro.

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