7.2 ENCONTRO

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Eu nunca tivera um encontro antes.

Eu não sabia como me portar.

Eu não sabia nem como me vestir para um encontro.

Porém, com a sorte que Deus me deu, eu tinha uma melhor amiga que manjava desses paranauês. Não era por coincidência que ela já estava praticamente casada aos dezoito anos.

Cela escolheu um vestido amarelo que parecia ressaltar a minha cor e o meu cabelo. Maquiou-me como se eu estivesse indo a um desfile de moda e me escolheu um sapato suficientemente alto para que JP não tivesse muita dificuldades em me beijar, se tudo corresse bem.

Quando ela disse essa última parte, eu só conseguia pensar "Como assim, se tudo corresse bem?". As pessoas se beijavam em encontros, certo?

Quanto mais ela falava, mais eu tinha certeza que eu não sabia nada sobre como me portar ou agir em um encontro. Tinha certeza que tudo era mais fácil em um baile, a gente chegava na pessoa e já era.

Minha mãe me ligou por volta das cinco horas para avisar que chegaria mais tarde porque ainda estava comprando coisas e parecia que a avenida Brasil estava engarrafada. Provavelmente não chegaria a tempo de me ver antes de sair e me desejou um bom encontro. Depois passou dois minutos me constrangendo, falando sobre o quão bom rapaz era o João, sob minhas reclamações e meus "mãe!" de reprimenda, agudos.

Cela olhou para o seu celular, que eu não havia reparado que tinha apitado, enquanto me encarava no espelho e me via tão diferente que eu quase não reconhecia a mim mesma.

- Não entre em pânico - ela me alertou. - Pepê disse que JP acabou de pegar o carro dele emprestado e está vindo te buscar.

Tomei uma lufada de ar e tentei conter meu nervoso, embora a hora já me informasse que ele devia estar chegando. Estava até um pouco atrasado, na verdade.

Continuei me encarando no espelho, a procura de falhas que me fizessem esconder debaixo da cama. Eu estava morrendo de medo de ter um encontro!

- Meu cabelo! - choraminguei.

Cela se levantou rapidamente e, com seus dedos ágeis, apertou meus cachos - que não estavam nada ruins - e os definiu um pouco mais.

- Perfeito como sempre, Dri - ela sorriu. - Vai dar tudo certo - garantiu-me. - Só relaxa, tá bom? É só o João.

Só o João? Questionei-me, mentalmente, histérica. O mesmo João pelo qual eu aparentemente era apaixonada desde os meus onze ou doze anos. Obrigada, Cela, agora mesmo que eu iria entrar em pânico total.

Sem perceber que eu estava tendo uma síncope nervosa, Cela se pôs a digitar algo no celular. Respirei fundo e peguei a bolsinha pequena que Cela dissera que combinaria com o meu vestido - embora eu não tivesse tanta certeza. Como uma bolsa bege combinava com qualquer outra coisa? - e guardei meu celular dentro dela, junto com a minha identidade e algum dinheiro que eu havia pego das minhas economias, caso precisasse.

A campainha tocou bem naquele momento e eu encarei a porta do meu quarto como se JP fosse se materializar ali.

- Sem pânico - Cela insistiu.

Concordei com a cabeça e murmurei-lhe uma despedida, entregando a chave de casa para ela sair assim que eu me fosse, instruindo-a a colocá-la na caixa de correio quando saísse, não que ela já não soubesse o que era para fazer.

- Vá! - ela empurrou-me para fora do quarto e eu fui, descendo as escadas, quando a campainha soou mais uma vez.

Corri para o portão e encontrei JP parado ao lado da campainha. Sorriu quando me viu e eu mordi meu lábio inferior, admirando o quão lindo ele estava.

Usava uma bermuda xadrez marrom cara e uma blusa branca simples. Não havia nada muito diferente do comum, mas ele era lindo de qualquer forma e eu acabei suspirando de forma patética, sentindo seu perfume, um pouco exagerado, enchendo meus pulmões.

- Oi - ele cumprimentou-me. - Você está muito linda.

Aproximou-se, doce, e deixou um beijo no canto dos meus lábios que me deixou ainda mais nervosa e envergonhada.

- Você também está muito bonito - elogiei-o.

Ele agradeceu e apontou para o carro, parecendo tão sem jeito quanto eu. Concordei com a cabeça e ele abriu a porta do carona para mim, me fazendo ficar ainda mais envergonhada.

Por que eu não conseguia formular frases decentes para lhe dizer? Se tudo continuasse assim, nosso encontro seria um fiasco.

Eu devia tê-lo agarrado no depósito e eu estaria na minha zona de conforto.

- Pensei na gente ver um filme, o que você acha? - perguntou-me, depois de alguns momentos de silêncio, enquanto dirigia.

Bom, no cinema era escuro e se a gente se beijasse lá, tudo iria ficar bem. E também não era necessário conversar, então aquele bolo no meu estômago que parecia me impedir de formar frases inteligentes não iria estragar nosso encontro.

- Gosto da ideia - sorri-lhe.

Ele pareceu satisfeito e, embora eu continuasse quieta, não deixou de sorrir. Permanecemos em silêncio até que ele estacionou o carro no shopping e eu desci sem esperá-lo.

- Ei! - reclamou. - Eu ia abrir a porta pra você.

Eu ri do biquinho fofo que ele fez e caminhei até ele, dando-lhe um tapinha fraco em seu peito. Ele passou o braço pela minha cintura e eu estremeci.

- Eu tenho mãos - disse-lhe. - Você não precisa fazer as coisas por mim.

Acho que eu disse qualquer coisa errada porque ele pareceu um pouco mais nervoso depois disso e eu amaldiçoei-me. Não insisti em pagar minha entrada do cinema depois disso, embora eu quisesse, deixei-o fazer. Mas, antes que pudesse me impedir, eu paguei pela pipoca.

Ele estava rindo quando eu cheguei até ele com um combo de pipoca e refrigerante, então estava tudo bem.

- Você é uma coisinha teimosa, não é? - disse-me, sorrindo.

Porém, apesar de suas palavras, ele me abraço e me deu um beijo atrás da orelha, que fez com que meu corpo todo se arrepiasse. Tirou a pipoca de minhas mãos e, com a mão livre que lhe sobrou, rodeou minha cintura, abraçando-me daquela forma gostosa que eu já adorava.

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