Capítulo 05 - A arrebatadora mágica do anjo

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Daquele episódio decorreram alguns dias e algumas cidades. Eu, como sempre, me mantinha tão a margem quanto poderia de Rafaella quanto era possível. Nem sempre, no entanto, o era. Por vezes nos cruzavamos e eu engolia minha eminente curiosidade acerca dos mistérios que rondavam aquela mulher.

Apesar de tudo, e para o meu agradecimento, eu não parecia a única intrigada com a sua presença.

— Não sabemos de onde ela vem e ela nunca deixou que víssemos um único ensaio. Tudo o que temos é uma confiança plena e cega de Daniel de que ela é uma artista impressionante, mas se aquele idiota estiver equivocado... — Afirmou Venturotti ajeitando meu suspensório.

— Eu acho que Daniel está certo quanto a ela — Afirmei e minha amiga deixou o elástico bater contra as minhas costas me machucando de propósito.

— Das coisas que não achei ver um dia na minha vida seria você concordando com alguma ação do Daniel — Não que eu discordasse de tudo e sempre protestasse agressivamente, mas usualmente não poupava um revirar de olhos para as peripécias do irmão mais velho de Bianca — Está sabendo de algo que eu não sei? — Completou em dúvida e ponderei sobre falar do que vivenciei no anfiteatro tardes atrás.

— Não — Neguei, pois pareceu o mais certo a ser feito naquele instante. Bianca ainda me encarou por alguns segundos, mas por bem não insistiu no assunto e retornou ao seu lugar em frente da penteadeira cheia de luzes coloridas em volta.

Por um momento senti que poderia só esquecer de Rafaella e situações que se relacionassem ao seu nome, no entanto, foi realmente impressão do momento.

Sabe quando a vida insiste em te colocar no lugar errado e na hora errada? Quando cruzar a rua um momento antes ou depois poderia evitar um pequeno incidente? Quando chove cinco minutos antes de se chegar no lugar de destino e isso estraga toda sua roupa? Pois bem.

Como se esse fosse o contínuo da minha vida outra vez sou atraída contra minha vontade a um ambiente em que Rafaella está e eu, por evidência, não deveria.

Tudo aconteceu quando sai sorrindo do picadeiro dando inúmeros acenos ao público admirado e cheio de bons sentimentos ocasionados por minhas palhaçadas. Era sempre uma sensação deliciosa e imbuída dela não pensei precisar de mais nada naquela noite, nem de bom e muito menos de ruim. Mas complementando meu pensamento anterior sobre o local errado e a hora errada não pude deixar simplesmente de estar.

E estive. Na hora errrada.

Com as luzes desligadas dentro do camarim os olhos esmeralda me mantiveram parada. Da mesma maneira que fui cativada por sua alegria percebi no ato que sua tristeza também era capaz de manter dois pés grudados no chão.

Minha intenção era retirar a maquiagem e seguir para a platéia, afinal, nenhum de nós queríamos perder a inédita apresentação da enigmática Rafaella. Venturotti ficara me esperando com sua cadeira vazia ao lado e naquele segundo senti que deveria ter ficado com ela.

— Me desculpe eu... — Comecei a me explicar, mas outra vez seu olhar levou minha fala, tornando-me mera coisa diante de sua imposição. Era como perder o ar.

— Tudo bem — Era a resposta usual. A típica fala de um alguém que claramente não estava tão bem apesar do que aparentava. Não havia penas, mas tinha um vestido branco longo e suntuoso com fendas laterais e uma máscara com pedrarias contornando e evidenciando os seus olhos.

— Tudo bem? — A pergunta salta por minha língua antes que eu pudesse para-la como a explosão da curiosidade que tentei frear por esses dias.

Quando as luzes se apagam Where stories live. Discover now