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N O A H   U R R E A

Passei a noite sentado na cama de Sina, olhando para ela. Levi não precisou de mim durante a noite, pude ver pela babá eletrônica. Era uma coisa que eu devia dizer à Si quando ela acordasse. Eu também precisava fazer café antes que ela estivesse de pé, e tinha que fazer supermercado para Carlos e Alex, já que Josh iria fazer para os nossos pais. Também precisava ligar para Will, estamos preocupados com o que pode acontecer com Paraisópolis se o Coronavírus for maior do que imaginamos.

Droga, eu precisava fazer muita coisa.

Acho que o que estava me sustentando era ter minha família por perto, e saber que Sina estava passando por uma fase. Aquilo não duraria para sempre. O terror que ela sentia por Levi passou, e esse medo de que qualquer coisa aconteça com o nosso filho também vai ser passageiro. Não é que eu não me importe ou tente tomar muito cuidado com o bebê, eu só sei que obsessões não fazem bem. Eu não tenho o poder da preservação, coisas ruins acontecem. Quisera eu colocar todos que amo em uma bolha de proteção.

Eu curaria Sina.

Protegeria todos da minha família.

E salvaria aqueles que mais precisassem.

Porém, como diz a frase de um pensador famoso: "antes de tentar arrumar o mundo, tente arrumar seu próprio quarto.". Enquanto não posso ajudar todos, vou ajudar os que estão ao meu redor. Quando o dia amanheceu, acordei do meu cochilo e dei uma outra olhada em Sina, que dormia pesado por conta do calmante que dei à ela na noite anterior. Óbvio que meu coração quebrou em mil quando precisei dopá-la, mas foi o melhor a se fazer. Minha garota precisa descansar, eu só queria ajudar.

Levantei da cama e fui até a cozinha arrumar o café da manhã. Como os jornais haviam anunciado que não devíamos sair de casa até que a situação estivesse controlada, precisei me virar com o que tinha no armário. Fiz café, preparei umas torradas com pão francês de alguns dias atrás, tirei os pedacinhos estragados de uma peça do queijo que estava na geladeira e comi. Eca, não, não comi. Foi tudo pro lixo quando um gosto de morte invadiu minha boca. Juntei as coisas que ainda estavam boas na casa e coloquei em cima da mesa.

— Bem na hora filho, bem na hora.

Agradeci quando Levi começou a chorar apenas quando eu já havia terminado minha primeira tarefa do dia. Fui até seu quarto e o vi rindo. Bebês são confusos, não muito diferentes dos adultos. Porém mais fofos.

— Você é um sem vergonha!- falei baixo, fazendo meu filho rir— fica rindo da cara do papai, sua língua vai cair!

Ele soltou uma risadinha um pouco mais forte, me fazendo rir também. Meu bebê já estava quase com um mês, e eu ficava cada vez mais impressionado. O tempo passou muito rápido, mas eu tenho certeza que aproveitei cada segundo. Peguei meu filho no colo e fui para a sala com ele. Sentei no sofá e o deixei deitado nas minhas pernas, enquanto brincava com suas mãozinhas. Sina adoraria fazer aquilo com a gente, eu sempre pensava no que eu poderia ter feito diferente para que ela não tivesse que passar pelo que estava passando.

Eu podia nunca ter ido para Los Angeles.

Eu podia nunca ter deixado minha garota entrar naquele avião com Ryan.

Eu podia ter acompanhado mais de perto sua gravidez.

Eu podia ter morrido com os meus pais naquele acidente...

Não.

Não!

Por alguma obra divina, a campainha tocou, me arrancando dos meus pensamentos perturbadores.

Behind the lights |HIATUS|Onde as histórias ganham vida. Descobre agora