Capítulo 39

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Atencão: Pode conter gatilhos.

Katherine

O cheiro mofo e empoeirado me fez despertar para a realidade, pânico se alojando em minha cabeça me fazendo tremer.

Lágrimas encorreram livremente por meu rosto.
Céus o que estava acontecendo?

Encapuzada só conseguia ouvir vozes e sentir o vento frio que chocava contra a minha pele.

Estrangulei um soluço no exato momento em que uma pegada rude e dolorosa se apertou em torno do meu braço, com as mãos atadas eu não podia e nem tentaria fazer nada.

Fui arrancada de onde quer que eu estivesse a força fazendo meus pés vacilarem e cair no chão.

A pegada violenta em meu cabelo me fez vociferar baixinho, aflita e apavorada, me senti covarde naquela situação mas eu não poderia simplesmente bancar a valentona e correr o risco de ser morta.

O tal homem me arrastou assim mesmo, pelos cabelos, enquanto a todo custo tentava controlar meu pranto, meu desespero.

Já nem sabia dizer se era Otton ou não, assim que me enfiaram dentro do carro abafaram meu nariz com um pano maldito, banhado em álcool que me fez apagar.

Sentia a frieza e aridez do solo em contato com o meu corpo me machucando ao extremo. Em um ato impensado e de agonia minhas mãos foram de encontro com as mãos frias daquele ser que continuava me machucando, arranhei-o não conseguindo suportar a dor aguda em minha cabeça.

Mal sabia eu que seria uma das piores coisas a ser feita.

Com um rugido, eu fui arremessada de forma estúpida e descomedida.

Minha cabeça bateu contra uma parede e o impacto que senti em minha barriga me fez bradar tamanha dor.

Respirar se tornara mais difícil do que qualquer outra coisa, abri a boca gemendo magoada e desorientada, minha mente clamava por deus.

Um chute foi desferido em minhas costas me fazendo contorcer, era tudo tão horrível, a dor se tornava insuportável, sentia sangue sair por entre minhas narinas, eu não tinha mais nada a fazer a não ser orar.

Deus...por favor...

Outro chute

Proteja sua filha...

Os soluços se tornaram incontroláveis e altos, a respiração descompassada, só consegui me encolher toda, minhas mãos protegendo minha barriga de forma automática.

- Sua cadela... vai ver o que...

-Chega Pedro! Saia daqui!

A voz medonha, grossa e dura me fez tremer de uma maneira absurda, a garganta doía pelo choro, todo o meu corpo doia.

Uma dor que rasgava meu interior e rompia minha alma.

Com dificuldade minhas mãos tentavam enconder minha cabeça também, zumbidos em meus ouvidos me fizeram gritar desconsolada e tomada de padecimento.

-Isso não vai ficar assim..._ sussurrou contra meus ouvidos me dando um último tapa.

Um furor se sobressaiu ao medo me fazendo prometer que se eu não saisse morta daqui seria o fim dele.

Porque eu iria caçar esse Pedro até os finais dos tempos, até o final do mundo, e o faria sentir cada chute, cada agressão gratuita.

Mais uma vez fui arrastada o que me fez berrar arfando de dor. Sentar em uma simples cadeira fora uma tortura agonizante.

Uma segunda vez- Livro I- Série Destinados - PAUSADO-Onde as histórias ganham vida. Descobre agora